Diplomacia brasileira avalia que participação do senador em debate sobre tarifas impostas pelos EUA terá efeito limitado nas negociações entre os países.
A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de viajar aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública sobre o tarifaço imposto ao Brasil pelo governo Donald Trump foi recebida com ceticismo por integrantes do governo Lula. Nos bastidores da diplomacia brasileira, a avaliação predominante é de que a iniciativa teria mais caráter político do que capacidade real de influenciar as negociações comerciais em curso.
Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, fontes ligadas ao Itamaraty classificam a movimentação como uma espécie de “teatro político”, sem impacto efetivo sobre as tratativas bilaterais.
Governo vê impacto limitado na atuação de Flávio
A leitura dentro do governo federal é de que o senador não teria condições de interferir diretamente no processo decisório conduzido pelo governo dos Estados Unidos. As negociações sobre as tarifas seguem sob responsabilidade técnica e diplomática entre os dois países.
Para interlocutores da área diplomática, o espaço da audiência pública é voltado principalmente à participação de representantes do setor privado e da sociedade civil, o que reduziria ainda mais a influência de qualquer manifestação política estrangeira no resultado final.
Participação brasileira será restrita
De acordo com a apuração, o governo brasileiro não deve ter participação ativa no evento. A expectativa é de que apenas um representante da embaixada acompanhe a audiência, com a função de observar os debates e registrar as discussões.
A orientação interna é de que esse tipo de fórum não substitui os canais oficiais de negociação, que seguem sendo conduzidos por meio de reuniões técnicas entre Brasil e Estados Unidos.
Avaliação interna fala em risco político para oposição
Além da leitura diplomática, fontes próximas ao campo político do governo avaliam que a estratégia de Flávio Bolsonaro pode representar riscos para o próprio senador.
Segundo essas análises, a exposição em um tema sensível como o tarifaço pode acabar gerando desgaste, caso não haja resultados concretos. Em outra leitura mais dura, interlocutores chegam a apontar que a movimentação poderia ser interpretada como uma tentativa de capitalização política em cima de um tema econômico complexo.
Há ainda menções, nos bastidores, de que parte da família Bolsonaro teria apoiado anteriormente medidas que hoje são alvo de críticas no contexto do tarifaço.
Tarifaço e prazos pressionam cenário comercial
A decisão final do governo norte-americano sobre a aplicação das tarifas está prevista para ser anunciada a partir de 15 de julho. Em discussão, está a imposição de uma alíquota de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma taxa adicional de 12,5% que poderia ser aplicada de forma cumulativa.
O Brasil integra um grupo de países afetados por essas medidas, o que, segundo técnicos do governo, reduz as possibilidades de tratamento diferenciado nas negociações com Washington.
Apesar disso, o governo brasileiro ainda mantém uma margem de negociação, ainda que considerada estreita, para tentar reduzir os impactos do tarifaço.
Negociações seguem em curso
Enquanto a disputa política ganha espaço no debate público, os canais oficiais entre Brasil e Estados Unidos continuam ativos. As reuniões técnicas ocorrem de forma periódica e devem seguir até a decisão final.
Nesse cenário, o governo Lula busca separar a dimensão diplomática das movimentações políticas, reforçando que a condução do tema permanece restrita aos canais institucionais.
Em meio à disputa de narrativas, o tarifaço se consolida não apenas como um tema econômico, mas também como mais um ponto de tensão no embate político que se projeta sobre a relação entre governo e oposição no Brasil.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













