Após ter propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, advogados concentram atuação na tentativa de invalidar provas obtidas na investigação.
Depois de meses tentando negociar um acordo de colaboração premiada, a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro decidiu mudar de rumo. Sem avanços nas tratativas com os órgãos de investigação, os advogados passam agora a concentrar esforços na contestação das provas que sustentam a ação penal, apostando em uma estratégia jurídica voltada ao mérito do processo.
A principal frente da defesa será questionar a legalidade da cadeia de custódia dos aparelhos celulares apreendidos durante as investigações. Para reforçar essa linha de atuação, a equipe jurídica contratou especialistas para analisar tecnicamente a forma como os dispositivos foram preservados e periciados.
Contestação da cadeia de custódia
Segundo a estratégia definida pelos advogados, a defesa pretende argumentar que houve falhas na preservação dos celulares desde o momento da apreensão até a realização das perícias.
Caso consiga demonstrar irregularidades na chamada cadeia de custódia, a defesa buscará invalidar as provas extraídas dos aparelhos, sustentando que elas não atenderiam aos requisitos legais para permanecer no processo.
A expectativa é que esse questionamento seja um dos principais pilares da atuação jurídica nas próximas fases da ação penal.
Delação premiada fica em segundo plano
A mudança ocorre após uma série de tentativas frustradas de firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades.
Conforme revelado anteriormente pela CNN, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República rejeitaram as propostas apresentadas por Daniel Vorcaro. O entendimento dos órgãos foi de que os materiais oferecidos não continham fatos inéditos nem elementos suficientes para justificar a celebração do acordo.
Em junho, pessoas próximas ao ex-banqueiro chegaram a preparar uma terceira proposta, prometendo informações mais consistentes e um conjunto probatório mais robusto. No entanto, a iniciativa não prosperou e as negociações foram encerradas.
Próximos passos da defesa
Além da tentativa de afastar a validade das provas obtidas por meio dos celulares, a defesa também pretende solicitar, em momento oportuno, a substituição da prisão por prisão domiciliar.
O pedido deverá ser fundamentado na reavaliação das circunstâncias do processo e nos argumentos que serão apresentados sobre a legalidade das provas produzidas durante a investigação.
A nova estratégia demonstra que a defesa deixa de apostar em um acordo com as autoridades para concentrar sua atuação nas garantias processuais e na validade dos elementos que embasam a acusação. O desfecho dessa disputa poderá influenciar não apenas o andamento do caso de Daniel Vorcaro, mas também reforçar debates sobre a importância da cadeia de custódia e da preservação das provas como pilares da segurança jurídica no sistema de Justiça brasileiro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













