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Tarifas aéreas em Rondônia disparam 40% e estado tem a segunda passagem mais cara do Brasil

Dados da Anac revelam que Rondônia só fica atrás de Roraima no ranking nacional. Distâncias longas, baixa oferta de voos e custos operacionais elevados ajudam a explicar o cenário que pesa no bolso dos passageiros.

Viajar de avião deixou de ser apenas uma questão de planejamento para se tornar um desafio financeiro para milhares de rondonienses. Em um estado onde o transporte aéreo é, muitas vezes, a única alternativa viável para percorrer grandes distâncias em menos tempo, o preço das passagens tem afastado famílias, dificultado viagens de trabalho e até impedido o acesso a oportunidades em outras regiões do país.

Dados do Anuário do Transporte Aéreo 2025, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mostram que Rondônia passou a registrar a segunda tarifa aérea média mais alta do Brasil, atrás apenas de Roraima. O valor médio das passagens chegou a R$ 1.277 em 2025, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, colocando o estado entre os mais caros do país para quem depende do transporte aéreo.

Distância e combustível pesam no preço das passagens

Entre os fatores que explicam o aumento está a localização geográfica de Rondônia. O estado possui a maior distância média de voo do país, com 2.906 quilômetros por trecho, o que eleva significativamente os custos operacionais das companhias aéreas.

Segundo o economista Matheus Torrente, as rotas mais longas exigem maior consumo de querosene de aviação (QAV), responsável por cerca de 30% dos custos de um voo. Somado a isso, a baixa densidade populacional da Região Norte reduz a quantidade de frequências disponíveis, fazendo com que as empresas mantenham tarifas mais elevadas para compensar os custos da operação.

Outro indicador que chama atenção é o chamado yield, que representa a receita média obtida por quilômetro voado. Em Rondônia, o índice alcançou R$ 0,446 por quilômetro, crescimento de 30,8% em relação a 2024.

Passageiros sentem o impacto no orçamento

Quem precisa viajar com frequência conhece de perto essa realidade. O advogado e professor universitário Welison Nunes relata que chega a gastar entre R$ 3.500 e R$ 7 mil com passagens, dependendo do destino e da antecedência da compra.

Segundo ele, em determinados períodos, um voo entre Porto Velho e Brasília pode custar entre R$ 3.500 e R$ 3.800, valor semelhante ao de uma viagem internacional de ida e volta. A situação já o levou, inclusive, a cancelar compromissos por não conseguir arcar com os custos das passagens.

Infraestrutura e pouca concorrência dificultam redução dos preços

Apesar das tarifas elevadas, a movimentação aérea no estado permanece concentrada. Em 2025, Rondônia registrou 2.605 decolagens comerciais, das quais 2.236 ocorreram no Aeroporto Internacional Governador Jorge Teixeira, em Porto Velho. No mesmo período, foram transportados 336.750 passageiros no mercado doméstico, enquanto o volume de cargas caiu de 803 para 758 toneladas.

Especialistas apontam que a infraestrutura aeroportuária limitada e a baixa concorrência entre companhias também dificultam a redução dos preços. Embora Porto Velho possua um aeroporto internacional, a oferta reduzida de voos internacionais e a necessidade de investimentos em logística, equipes técnicas e serviços de apoio limitam a expansão das operações no estado.

Em nota, a Azul informou que utiliza um sistema de tarifas dinâmicas, que leva em consideração fatores como oferta e demanda, antecedência da compra, período da viagem, cotação do dólar e custos com combustível. Até o fechamento do levantamento, Gol e Latam não haviam se manifestado.

Mais do que números, o levantamento expõe uma realidade que afeta diretamente o desenvolvimento de Rondônia. Enquanto o alto custo das passagens continuar sendo uma barreira para quem precisa estudar, trabalhar, empreender ou simplesmente visitar familiares, o estado permanecerá enfrentando um isolamento que vai além da distância geográfica. Tornar a aviação regional mais acessível significa aproximar pessoas, estimular a economia e garantir que a localização de Rondônia deixe de ser um obstáculo para o seu crescimento.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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