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Faccionados são condenados por ordenar execução de testemunha de dentro de presídios em Porto Velho

Tribunal do Júri condenou quatro integrantes de organização criminosa por tentativa de homicídio contra uma testemunha de um duplo assassinato. Penas chegam a 20 anos de prisão.

Quando até mesmo quem decide colaborar com a Justiça passa a ser alvo da violência, o crime organizado revela uma de suas faces mais cruéis. Em Porto Velho, uma testemunha que presenciou um duplo homicídio escapou da morte por pouco, após criminosos ordenarem sua execução mesmo estando presos. Agora, mais de seis anos depois, a Justiça deu uma resposta ao caso.

O Tribunal do Júri condenou quatro integrantes de uma facção criminosa por determinarem, de dentro de unidades prisionais, a tentativa de assassinato da testemunha de um duplo homicídio ocorrido em 2019, na capital. O julgamento, realizado na última segunda-feira (27), durou cerca de 13 horas e resultou em penas que variam entre 17 anos e 9 meses e 20 anos de reclusão.

Crime teve origem em duplo homicídio de vítimas inocentes

A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Marcus Alexandre de Oliveira Rodrigues, Marcele Tavares Mathias e Marcel Barboza Ferreira. Os jurados acolheram integralmente a tese do Ministério Público de Rondônia (MPRO) e condenaram os réus por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e pela intenção de assegurar a impunidade do duplo homicídio. Um dos acusados também recebeu condenação por porte ilegal de arma de fogo.

Durante o julgamento, ficou comprovado que os condenados integravam uma organização criminosa e que três deles já haviam sido responsabilizados pelo assassinato de Francisco Carlos Gomes e Vilmar Matos dos Santos. Os dois homens foram mortos após serem confundidos com integrantes de uma facção rival, embora não possuíssem antecedentes criminais. Um trabalhava como pintor e o outro era mototaxista.

Testemunha virou alvo da facção

Segundo o MPRO, uma pessoa presenciou a execução das duas vítimas e passou a ser considerada uma ameaça pelos criminosos. Mesmo presos, os integrantes da facção ordenaram que a testemunha fosse eliminada para impedir que colaborasse com as investigações.

Em 21 de abril de 2019, dois homens ainda não identificados atentaram contra a vida da vítima, que foi atingida por quatro disparos de arma de fogo. Apesar da gravidade dos ferimentos, ela sobreviveu ao ataque.

Os três responsáveis pelo duplo homicídio já haviam sido condenados pelo Tribunal do Júri em 2024, recebendo penas de 45 anos, 45 anos e seis meses, e 31 anos de prisão. Agora, com a nova condenação, os quatro envolvidos também responderão pela tentativa de silenciar a principal testemunha do crime.

Resposta da Justiça ao avanço das facções

Para o Ministério Público, a condenação representa uma importante resposta do sistema de Justiça diante da violência provocada pelas disputas entre organizações criminosas em Porto Velho, conflitos que, ao longo dos últimos anos, deixaram dezenas de mortos, feridos e vítimas sem qualquer ligação com o crime.

Mais do que a condenação de quatro criminosos, o julgamento simboliza a defesa de um princípio essencial: ninguém deve ser condenado ao silêncio pelo medo. Proteger testemunhas e responsabilizar aqueles que tentam intimidar a Justiça é fundamental para romper o ciclo da violência e reafirmar que o crime organizado não pode se sobrepor ao direito à vida e à busca pela verdade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/PVH Notícias

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