Aliados reconhecem que ausência pode transformar o presidente em alvo dos demais candidatos, mas avaliam que o impacto eleitoral não seria decisivo.
A poucos dias do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia os efeitos de uma eventual ausência no último debate presidencial antes da votação. O encontro será realizado pela TV Globo na quinta-feira, 1º de outubro, e a presença do petista ainda não foi confirmada oficialmente.
Segundo relatos de aliados, Lula considera que faltar ao confronto pode provocar críticas dos candidatos que estiverem presentes, mas não vê, neste momento, um prejuízo considerado decisivo para sua campanha. A avaliação também leva em conta que candidatos que lideram pesquisas já deixaram de participar de debates em eleições anteriores, tornando-se alvos dos adversários.
Flávio Bolsonaro (PL), por outro lado, confirmou que participará do debate mesmo que Lula não compareça. O senador também passou a cobrar publicamente a presença do presidente no confronto.
Campanha de Lula avalia estratégia dos adversários
Dentro do núcleo petista, a confirmação de Flávio é interpretada como parte de uma estratégia para aumentar a pressão sobre Lula. Segundo integrantes da campanha ouvidos pela reportagem de origem, a presença do senador poderia criar um cenário no qual o presidente fosse levado a reconsiderar sua decisão.
A preocupação da equipe de Lula não se limita ao confronto direto com Flávio. A avaliação é de que, caso o presidente não esteja no estúdio, os demais candidatos poderão direcionar parte significativa de suas falas ao petista e às ações do governo.
A experiência de debates anteriores também entrou na análise. Em confrontos realizados ao longo desta campanha, Lula e Flávio estiveram ausentes em alguns encontros, enquanto outros candidatos aproveitaram o espaço para fazer críticas aos dois. No debate realizado pelo Flow em 21 de setembro, por exemplo, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema participaram, enquanto Lula, Flávio e Renan Santos não compareceram.
Formato dos debates é questionado por Lula
Parte dos integrantes da campanha petista defende a participação do presidente no encontro da Globo. Outra ala considera que Lula deveria preservar sua presença para um eventual segundo turno.
O próprio presidente já manifestou a aliados insatisfação com o modelo adotado nos debates televisivos. Segundo relatos, Lula considera que as regras restringem o tempo de fala dos candidatos e podem fazer com que um participante seja submetido a sucessivas críticas antes de ter uma nova oportunidade de responder.
A decisão também passou a ser analisada à luz do formato previsto para o encontro da Globo. O debate está marcado para três dias antes do primeiro turno e deverá reunir Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), candidatos habilitados a participar pelo critério de representação partidária.
Renan Santos fica fora do debate
Outro elemento considerado nas estratégias das campanhas é a ausência de Renan Santos (Missão). O candidato não está entre os convidados para o debate da Globo, conforme as regras eleitorais aplicadas ao encontro.
Renan tem criticado publicamente a decisão e defendido sua participação. A presença de Lula, Flávio, Caiado e Cury está relacionada aos critérios de representação partidária estabelecidos para os debates eleitorais.
Nos bastidores, a participação de Renan também aparece nas avaliações das campanhas porque o candidato tem adotado um discurso crítico em relação aos dois principais nomes da disputa. A eventual ausência dele reduz o número de candidatos no confronto, mas não elimina a possibilidade de críticas dirigidas a Lula e Flávio pelos demais participantes.
Decisão entra na reta final da campanha
A indefinição sobre Lula ocorre justamente quando a campanha entra em sua última semana antes da votação. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o debate da Globo será o último grande confronto televisivo entre os presidenciáveis antes da abertura das urnas.
A presença ou ausência do presidente deverá, portanto, se transformar em um dos assuntos da reta final da eleição. Enquanto Lula avalia os custos políticos de comparecer ao confronto, Flávio já confirmou que estará no estúdio e transformou a participação do adversário em um dos temas de sua estratégia para os últimos dias de campanha.
Com a decisão ainda em aberto, o debate da Globo ganhou peso adicional na disputa presidencial. Mais do que um encontro entre candidatos, o programa será realizado às vésperas da votação e poderá concentrar a atenção sobre as estratégias adotadas por cada campanha na reta final do primeiro turno.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/YouTube Lula













