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PL oficializa Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado e busca unificar direita

Indicação do senador pelo Rio Grande do Norte movimenta articulações para a disputa pelo comando da Casa; aliados tentam convencer Tereza Cristina a desistir de candidatura própria para evitar divisão de votos e fortalecer oposição a Davi Alcolumbre.

A disputa pela presidência do Senado Federal começa a ganhar novos contornos e promete movimentar os bastidores da política nacional. Em um cenário de articulações e busca por alianças, o Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (4) o nome do senador Rogério Marinho (RN) como candidato da legenda ao comando da Casa, apostando na união da direita para enfrentar a tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP).

A decisão foi anunciada após uma reunião entre parlamentares do partido, em Brasília. A indicação já vinha sendo construída internamente e representa mais um movimento da oposição para ampliar sua influência no Congresso Nacional. Marinho foi líder da oposição no Senado nos últimos anos e também coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Disputa interna preocupa oposição

Apesar da oficialização, o caminho de Marinho ainda depende de uma articulação considerada fundamental: evitar que a direita chegue dividida à eleição. O principal ponto de tensão envolve a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também demonstra interesse em disputar a presidência do Senado.

A avaliação de aliados do PL é que duas candidaturas do mesmo campo político podem fragmentar os votos e acabar favorecendo Davi Alcolumbre, que busca permanecer no comando da Casa. Por isso, interlocutores de Marinho trabalham para convencer Tereza Cristina a não lançar candidatura própria e construir um entendimento em torno de um único nome.

Marinho afirmou que espera chegar a uma convergência com a senadora no momento oportuno. Segundo ele, os dois compartilham pautas e objetivos políticos, especialmente a intenção de promover mudanças na condução do Congresso.

“A senadora Tereza é nossa parceira, está do mesmo lado, comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos. E, juntos, faremos o possível para derrotar o atual presidente, senador Davi Alcolumbre”, declarou.

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também demonstrou confiança em uma solução para o impasse. Na chegada à reunião da bancada, afirmou à CNN que a senadora continuará ao lado do grupo. “Tereza sempre esteve conosco e seguirá”, disse.

Marinho fala em mais de 40 votos e defende anistia

Durante o encontro com parlamentares, Rogério Marinho afirmou que já conta com o apoio de mais de 40 senadores. Em seu discurso, classificou a candidatura como um gesto em favor da pacificação do país e defendeu a retomada das discussões sobre a anistia.

A disputa, no entanto, terá um adversário com forte articulação política. Davi Alcolumbre conta com o apoio de parte do Centrão e da base governista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a vitória na corrida pelo Palácio do Planalto, Lula garantiu apoio à permanência do atual presidente do Senado no cargo.

Direita aposta no crescimento da bancada

A estratégia de Marinho também considera a ampliação da presença da direita no Senado. O PL elegeu 19 senadores e deverá contar com uma bancada de 28 parlamentares no próximo ano, fortalecendo sua capacidade de articulação e influência nas votações.

Além disso, o senador busca construir alianças com integrantes de outras legendas do Centrão, especialmente PP e Republicanos, que possuem parlamentares alinhados ao seu projeto.

Mais do que uma disputa por uma cadeira de comando, a eleição para a presidência do Senado representa uma batalha por influência política, capacidade de pautar projetos e protagonismo nas decisões que impactam diretamente o país. Nesse cenário, a unidade das forças de oposição poderá ser determinante para o resultado de uma eleição que promete testar alianças, estratégias e a força dos diferentes grupos políticos em Brasília.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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