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Crise no Oriente Médio: Irã confirma ataque à bases dos EUA e no Catar após ofensivas contra instalações nucleares

Escalada militar entre Teerã, Washington e Israel aumenta o risco de guerra regional; Rússia entra em cena como peça-chave nas negociações.

A tensão entre Irã, Estados Unidos e Israel atingiu um novo e perigoso patamar nesta segunda-feira (23). Depois de sofrer sucessivos ataques às suas instalações nucleares, o Irã confirmou o lançamento de mísseis contra bases militares americanas no Iraque e no Catar, numa clara resposta às operações militares coordenadas por Washington e Tel Aviv nos últimos dias.

Fontes do governo dos EUA informaram que múltiplos mísseis partiram de território iraniano e foram direcionados principalmente à Base Aérea de Al Udeid, no Catar : a maior instalação militar americana no Oriente Médio – e também a unidades americanas no Iraque.

Resposta imediata em Washington

O ataque mobilizou as principais autoridades de segurança dos EUA. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, estão reunidos na Sala de Situação da Casa Branca, acompanhando a ofensiva em tempo real.

A base de Al Udeid, visitada recentemente pelo presidente Donald Trump, já estava em estado de alerta máximo diante de ameaças anteriores de Teerã. Até o momento, não há confirmação oficial de vítimas ou da extensão dos danos.

Ataques coordenados contra o programa nuclear iraniano

A resposta iraniana ocorre após um final de semana marcado por ataques de grande escala dos EUA e de Israel contra o programa nuclear do Irã.

Primeiro, no sábado (21), os Estados Unidos lançaram bombas destruidoras de bunkers contra as instalações de Fordow, Natanz e Isfahan, atingindo áreas estratégicas do complexo nuclear iraniano.

Israel, por sua vez, complementou os ataques ao longo do domingo (22) e da segunda-feira (23), focando principalmente nas rotas de acesso a Fordow, com o objetivo de dificultar eventuais reparos ou reforços militares no local.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, celebrou o que chamou de “danos severos” à capacidade nuclear iraniana e afirmou que, junto aos EUA, está “determinado a concluir o serviço”, numa clara referência à meta de desmantelar o programa nuclear do Irã.

Irã busca apoio da Rússia

Em meio ao agravamento do conflito, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, enviou seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, a Moscou para buscar mais apoio da Rússia. Araqchi levou uma carta pessoal de Khamenei ao presidente Vladimir Putin, solicitando maior envolvimento do Kremlin diante da ofensiva ocidental.

Fontes iranianas, ouvidas pela Reuters, disseram que Teerã está insatisfeito com a postura até agora “tímida” da Rússia e pressiona por uma resposta mais efetiva, seja diplomática ou militar.

No domingo (22), Rússia, China e Paquistão apresentaram uma proposta de cessar-fogo imediato no Conselho de Segurança da ONU, mas a medida ainda aguarda votação.

Riscos de contaminação nuclear

Apesar da gravidade dos ataques, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que não houve aumento nos níveis de radiação nas áreas próximas às instalações atingidas, como Fordow, Natanz e Isfahan.

Segundo especialistas, o maior risco atual seria de contaminação química, devido ao uso de hexafluoreto de urânio (UF6) nas etapas iniciais do ciclo de combustível nuclear. Já o temor de um grande desastre radiológico só se concretizaria em caso de ataques diretos a reatores nucleares em funcionamento, como o de Bushehr, que até agora não foi atingido.

Cronologia da escalada

  • 13 de junho de 2025 – Israel inicia ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas em Natanz e Isfahan.
  • 21 de junho de 2025 (sábado) – Os EUA entram no conflito e bombardeiam as instalações de Fordow, Natanz e Isfahan.
  • 22 de junho (domingo) – Israel reforça os ataques, focando nas rotas de acesso a Fordow. O Irã envia emissário a Moscou em busca de apoio.
  • 23 de junho (segunda-feira) – Irã lança mísseis contra bases americanas no Iraque e no Catar, marcando a primeira resposta militar direta. Autoridades americanas entram em estado de alerta máximo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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