Presidente americano diz que Teerã deve reconstruir o país, mas reforça veto a armas nucleares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (24) que não apoia uma mudança de regime no Irã, apesar da escalada militar das últimas semanas. Segundo ele, uma intervenção para derrubar o atual governo iraniano traria ainda mais instabilidade para o Oriente Médio.
“Uma mudança de regime exige caos, e idealmente não queremos ver tanto caos”, declarou o presidente a jornalistas durante o voo no Air Force One, a caminho da Holanda, onde participará de uma reunião com líderes da Otan.
Trump defendeu o cessar-fogo em vigor desde a semana passada e disse esperar que a tensão entre Israel e Irã diminua. “Gostaria de ver tudo se acalmar o mais rápido possível. Os iranianos são ótimos negociantes, ótimos empresários, e têm muito petróleo. Eles devem ficar bem. Devem ser capazes de reconstruir e fazer um bom trabalho. Eles nunca terão energia nuclear, mas, tirando isso, devem fazer um ótimo trabalho”, comentou.
Mudança de discurso
As declarações desta terça contrastam com o tom adotado por Trump no fim de semana, quando, após os ataques americanos a instalações nucleares iranianas, ele chegou a sugerir uma possível mudança de liderança em Teerã. Na ocasião, escreveu no Truth Social: “Não é politicamente correto usar o termo ‘mudança de regime’, mas se o atual regime iraniano não consegue TORNAR O IRÃ GRANDE NOVAMENTE, por que não haveria uma mudança de regime??? MIGA!!!”, ironizou, usando a sigla de sua campanha.
Riscos de instabilidade regional
Analistas em Washington e especialistas em Oriente Médio alertam que uma queda repentina do regime iraniano não garante a instalação de um governo moderado ou alinhado aos interesses dos Estados Unidos e de Israel. Pelo contrário, o vácuo de poder poderia abrir espaço para facções ainda mais radicais, com risco de agravamento das tensões e até a possibilidade de o Irã buscar uma resposta nuclear como forma extrema de retaliação.
Além disso, o eventual desaparecimento do atual líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, poderia provocar uma disputa interna de poder e acirrar ainda mais a instabilidade na região.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













