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Governo busca Lira para blindar reforma do IR em meio à crise com Congresso

Planalto teme que tensão sobre IOF contamine tramitação da proposta que amplia isenção para quem ganha até R$ 5 mil

Em meio ao agravamento da crise entre o Executivo e o Congresso Nacional após a derrubada do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o Palácio do Planalto tem buscado o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para garantir que a reforma do Imposto de Renda não seja prejudicada.

Relator da proposta que amplia a faixa de isenção para até R$ 5 mil, Lira é peça-chave para a votação do texto em uma comissão especial da Câmara, e vem sendo procurado por líderes governistas para assegurar a continuidade da tramitação.

Na noite de segunda-feira (30), o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se reuniram com Lira para alinhar estratégias. Segundo Guimarães, o deputado teria garantido que não vê obstáculos para a votação e que o texto está tecnicamente pronto.

A expectativa é que a reforma seja aprovada no colegiado até 15 de julho, para que tenha tempo hábil de ser sancionada até 30 de setembro. Isso é necessário para que as mudanças possam entrar em vigor já em 2026, respeitando o princípio da noventena, que exige um intervalo de 90 dias entre a sanção de leis sobre impostos e sua aplicação.

Clima tenso após impasse do IOF

A preocupação do governo é que a recente derrota no Congresso sobre o IOF e a decisão de judicializar o caso no STF, contamine a relação com o Legislativo e acabe travando outras pautas, como a do IR.

O parecer de Lira sobre a reforma estava previsto para ser divulgado na última sexta-feira (27), mas aliados afirmam que ele optou por adiar a apresentação para “baixar a poeira” diante da turbulência gerada pelo embate com o governo.

Enquanto isso, o Planalto intensificou a campanha para reforçar os benefícios da medida. A Secretaria de Comunicação (Secom), chefiada por Sidônio Palmeira, tem veiculado peças publicitárias destacando a ampliação da faixa de isenção como uma vitória da classe média e dos trabalhadores.

Agora, o governo corre contra o tempo e aposta na habilidade de articulação de Lira para garantir que a proposta não seja usada como moeda de troca ou alvo de retaliação no clima cada vez mais instável entre os Poderes.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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