Proposta inclui PDT, PSB, PSOL, Rede, PV e PCdoB, mas enfrenta resistência e disputas internas entre as siglas
O Partido dos Trabalhadores (PT) iniciou articulações nos bastidores para a criação de uma grande federação de centro-esquerda, reunindo partidos aliados em um único bloco político com vistas às eleições de 2026. A proposta, que ainda está em estágio inicial, vem sendo discutida em reuniões com lideranças da base na Câmara dos Deputados e no Palácio do Planalto.
A ideia do PT é reunir PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT numa federação que funcione como um contraponto às federações que já vêm sendo costuradas por partidos do centro e da direita, como a União Progressista: união entre União Brasil e PP, que deve reunir 109 deputados e 14 senadores, ocupando cerca de 20% do Congresso Nacional. Outro bloco em construção envolve MDB, Republicanos e PSDB.
Atualmente, PT, PCdoB e PV já formam uma federação vigente até 2026. PSOL e Rede também estão federados, e ambas as estruturas poderiam ser ampliadas ou remodeladas para comportar a nova configuração, caso as conversas avancem.
Apesar da proposta parecer estratégica, o desafio está longe de ser pequeno. Dentro do próprio PT, lideranças reconhecem que as diferenças programáticas e os interesses regionais tornam a federação um projeto difícil de sair do papel. PSB e PDT, por exemplo, demonstraram resistência à ideia. Fontes dos dois partidos ouvidas pela imprensa classificaram a federação como “inexequível” e “quase impossível” neste momento.
O principal objetivo da articulação é fortalecer a representatividade da centro-esquerda no Congresso Nacional e garantir maior governabilidade em um cenário político que promete ser ainda mais polarizado nas próximas eleições. A expectativa é que as conversas ganhem fôlego em 2025, com a proximidade do prazo final para a formalização de federações partidárias, previsto pela legislação eleitoral.
No tabuleiro político, a movimentação do PT busca neutralizar o crescimento da direita organizada e garantir musculatura eleitoral e parlamentar para sustentar as candidaturas da base do governo Lula em 2026.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













