Deputada é procurada em 196 países após ordem de prisão do STF; defesa nega fuga e diz que ela está à disposição na Itália
A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) completa nesta sexta-feira (4) um mês como foragida da Justiça brasileira. Desde que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua prisão preventiva, em 4 de junho, a parlamentar passou a ser procurada pela Polícia Federal (PF) e teve seu nome incluído na lista vermelha da Interpol, que reúne mandados de prisão válidos em 196 países.
A ordem de prisão foi expedida no mesmo dia em que Zambelli deixou os Estados Unidos com destino à Itália. Ela escapou de ser detida no aeroporto de Roma por poucas horas: desembarcou às 11h (horário local), pouco antes da inclusão oficial de seu nome na base internacional da Interpol, às 12h45 do dia 5 de junho.
Desde então, o paradeiro da deputada é incerto. O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, afirmou em entrevista à CNN que há indícios de que Zambelli esteja escondida nos arredores de Roma. “A polícia está investigando e acompanhando pistas de onde ela poderia estar”, disse ele, há duas semanas.
Apesar de estar oficialmente foragida, o advogado da parlamentar, Fábio Pagnozzi, negou nesta quinta-feira (3) que ela esteja em fuga. Segundo ele, Zambelli “está à disposição das autoridades italianas”.
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão pelos crimes de falsidade ideológica e invasão do sistema de informática do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em esquema que envolveu o hacker Walter Delgatti, também condenado no caso.
Processo de perda de mandato
Além da busca internacional, a parlamentar enfrenta um processo de cassação na Câmara dos Deputados. Notificada no mês passado, Zambelli apresentou nesta semana sua defesa à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), incluindo um pedido de acareação com Walter Delgatti.
O processo pode resultar na perda de mandato parlamentar. Segundo o regimento da Câmara, após análise da CCJ, a cassação precisa ser aprovada em plenário por maioria simples; ao menos 257 votos.
Enquanto isso, Carla Zambelli continua fora do país, sob intensa vigilância das autoridades brasileiras e internacionais.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Metrópoles













