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Rússia faz maior ataque com drones desde o início da guerra após críticas de Trump

Ofensiva com 728 drones atingiu região próxima à Polônia e foi interpretada como resposta à promessa de mais armas feita por Washington

A Rússia lançou, na madrugada desta quarta-feira (9), o maior ataque com drones contra a Ucrânia desde o início da guerra, em 2022. De acordo com a Força Aérea Ucraniana, foram disparados 728 dispositivos aéreos não tripulados em direção ao noroeste do país: um número que superou em quase 200 o recorde anterior, registrado em 4 de julho.

A ofensiva ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas e poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometer mais apoio militar a Kiev. Trump também acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de “falar besteira” sobre as negociações de paz. O ataque foi interpretado por autoridades ucranianas como um gesto de força do Kremlin diante da crescente pressão internacional.

“Este é um ataque demonstrativo, e ocorre em um momento em que houve tantas tentativas de alcançar a paz e o cessar-fogo, mas a Rússia rejeita tudo”, escreveu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em seu canal no Telegram. Ele reforçou o apelo por mais ação internacional: “Todos que querem a paz devem agir.”

Região próxima à Polônia foi alvo

O principal alvo do bombardeio foi a cidade de Lutsk, na região de Volyn, próxima à fronteira com a Polônia. O ataque foi tão intenso que a Força Aérea polonesa chegou a enviar aeronaves militares para monitorar seu próprio espaço aéreo.

Apesar da escala inédita, a Ucrânia afirma ter interceptado 718 dos 728 drones lançados. Não houve registro imediato de mortes, mas uma mulher ficou ferida na cidade de Brovary, próxima a Kiev, e foi hospitalizada com lesões no tórax.

“Ontem à noite, nossa região foi novamente alvo de um ataque em massa. Praticamente tudo voava em direção a Lutsk”, afirmou Ivan Rudnitskyi, chefe da administração militar regional.

Resposta ucraniana e novas promessas dos EUA

Em resposta ao ataque russo, a Ucrânia lançou 86 drones contra alvos em território russo, segundo o Ministério da Defesa de Moscou. O contra-ataque ocorre em meio ao novo posicionamento do governo norte-americano, que prometeu retomar o envio de armas, após uma breve suspensão.

“Vamos enviar mais armas; eles precisam ser capazes de se defender”, disse Trump na segunda-feira (7). “Armas defensivas, principalmente, mas eles estão sendo duramente atingidos.”

O Pentágono confirmou que, por ordem de Trump, mais armamentos estão sendo enviados. Um porta-voz do Departamento de Defesa afirmou que o objetivo é “garantir que os ucranianos possam se defender enquanto trabalhamos por uma paz duradoura”.

A decisão marca uma virada na postura dos EUA, após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ter suspenso o envio de alguns armamentos na semana passada sem consultar o presidente; o que gerou críticas internas e repercussão negativa entre aliados da Ucrânia.

Com o novo ataque, a guerra entra em mais uma fase crítica, onde a escalada militar se contrapõe aos esforços diplomáticos de cessar-fogo. A comunidade internacional observa com preocupação o risco de novos desdobramentos envolvendo países da Otan, dada a proximidade da ofensiva com a fronteira polonesa.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN

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