Vice-governador critica demissão ao vivo pela TV, acusa “trama política” e diz que está pronto para enfrentar perseguições sem abrir mão da luta
Em uma live transmitida na noite de quinta-feira (10), o vice-governador de Rondônia, Sérgio Gonçalves (União Brasil), falou abertamente sobre sua recente exoneração da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (SEDEC) e os rumores de que teria articulado contra o governador Marcos Rocha, também do União Brasil. Sérgio negou qualquer conspiração, lamentou a forma como foi afastado; ao vivo, durante uma entrevista televisiva e reafirmou com firmeza: “Não quero briga, mas também não fujo do conflito. Minha pré-candidatura está mantida.”
O tom do pronunciamento, que durou mais de 40 minutos, foi de defesa pessoal e familiar, mas também de apelo por respeito e verdade. Sérgio se disse profundamente injustiçado pelas acusações veladas e ressaltou que desde que recusou dialogar sobre uma possível indicação ao Tribunal de Contas do Estado, passou a ser alvo de ataques; não só a ele, mas à sua família.
“Não trabalho na escuridão, mas à luz do sol”, declarou, ao comentar sua ação judicial para restabelecer as atribuições constitucionais do cargo de vice-governador, que, segundo ele, vêm sendo esvaziadas desde que Rocha se ausentou do país por mais de 15 dias consecutivos; o que motivou uma mudança relâmpago na Constituição Estadual.
“Não me acovardo e não aceito ser calado”
Sérgio classificou como “injusta” e “humilhante” a maneira como soube de sua exoneração (pela televisão) e não poupou críticas à postura do governador, embora tenha agradecido pela confiança durante os seis anos em que esteve à frente da pasta. Disse que Marcos Rocha está sendo mal assessorado e influenciado por pessoas que têm mentido sobre ele.
“Sei que o governador é um homem de Deus, mas muitos homens de Deus perderam o temor e se perderam em suas decisões. Oro para que Deus tire as escamas dos seus olhos e que sua sede de poder seja saciada pela vontade divina”, afirmou, em tom duro, mas ainda conciliador.
Em meio ao momento delicado, Sérgio fez questão de apresentar seu pai, José Gonçalves, de 80 anos, como símbolo de resistência e legado. Emocionado, lembrou os 45 anos de história da rede de supermercados da família, responsável por empregar mais de duas mil pessoas. “A empresa pode falir, mas pessoas têm o direito de recomeçar. É justo chamar nossa família de falida?“, questionou, visivelmente tocado.
Um legado construído na SEDEC
O vice-governador destacou os resultados obtidos durante sua gestão na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que foi transformada de uma simples superintendência em uma das secretarias mais relevantes do governo estadual. Com orgulho, citou os mais de R$ 300 milhões em projetos executados e em andamento, além dos números expressivos do programa de crédito a micro e pequenos empreendedores, que já ultrapassa R$ 230 milhões.
Também citou o crescimento do PIB de Rondônia, projetado em 4,7% este ano: índice semelhante ao da China, como reflexo direto de ações desenvolvidas pela SEDEC.
Política, reconciliação e futuro
Apesar do tom pacífico, Sérgio deixou claro que não aceitará calado os ataques contra ele e sua família, que vê como parte de uma estratégia para inviabilizar sua ascensão política. Para ele, há uma “trama orquestrada” para impedir que assuma o governo em abril de 2026, como prevê a legislação, e para tentar silenciá-lo como pré-candidato.
Mesmo assim, o vice-governador evitou partir para o confronto direto com Rocha. “Não vou lavar roupa suja em público. Acredito na capacidade de reconciliação, no caráter privado”, disse. Ainda assim, reiterou que não recuará da disputa: “Seria covardia fugir da luta no meio do caminho”.
Em um discurso pautado pela serenidade e pelo tom emocional, Sérgio Gonçalves deixou uma porta aberta para o diálogo, mas deixou claro que está preparado para enfrentar o que vier. Prometeu continuar se comunicando com a população por meio de novas lives e concluiu com uma mensagem de esperança:
“A minha vitória será a vitória do povo de Rondônia.”
Agora, os próximos capítulos dessa crise política entre governador e vice prometem esquentar o tabuleiro eleitoral do estado e Sérgio, ao que tudo indica, está disposto a lutar até o fim.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Redes Sociais













