Carlos Viana diz que aproximação do Brasil com China e Rússia incomoda governo Trump
Durante missão oficial aos Estados Unidos, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou que o motivo por trás das tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros vai além das questões comerciais ou políticas internas; estaria relacionado à atuação geopolítica e militar do Brasil no âmbito do Brics.
Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (28), após reuniões com representantes do empresariado americano e membros do Partido Republicano na Flórida, Viana declarou que “o maior problema não é a anistia” a Jair Bolsonaro, mas sim o reposicionamento do Brasil dentro do bloco formado por países como China, Rússia, Índia e África do Sul.
“O Brics deixou de ser apenas um grupo econômico e passou a atuar estrategicamente em áreas que os Estados Unidos consideram sensíveis. O Brasil hoje tem aproximação com a China em áreas como satélites, defesa e tecnologia, e isso acendeu um sinal de alerta em Washington”, afirmou o senador.
Segundo ele, a informação foi repassada por interlocutores do Partido Republicano e membros do conselho consultivo norte-americano. Viana ressaltou que o desconforto com o Brasil se intensificou após o país apoiar iniciativas do Brics com viés militar, especialmente em parceria com Pequim. “Os americanos não querem esse tipo de alinhamento”, declarou.
A declaração ocorre em meio à escalada de tensão comercial entre os dois países. A partir desta sexta-feira (1º), o governo dos EUA deve começar a aplicar tarifas pesadas sobre uma lista de exportações brasileiras, medida anunciada pela gestão Trump como parte de sua política de proteção à indústria nacional.
Delegação em Washington
Carlos Viana integra uma comitiva de oito senadores que desembarcou nos Estados Unidos para tentar reverter ou, ao menos, reduzir os impactos do tarifaço sobre o setor produtivo brasileiro. A agenda inclui reuniões com empresários, autoridades norte-americanas e representantes da U.S. Chamber of Commerce e do Brazil-U.S. Business Council.
Os compromissos começaram nesta segunda-feira, com encontros na Embaixada do Brasil em Washington e, à tarde, na sede da câmara de comércio americana. O grupo busca apresentar as perdas econômicas que o Brasil pode sofrer com a medida e tenta reabrir canais de diálogo com o governo Trump.
Apesar do esforço diplomático, o cenário é desafiador. A postura cada vez mais crítica dos EUA em relação ao Brics, especialmente após a inclusão de novos países e o fortalecimento da parceria estratégica com China e Rússia, amplia as tensões e coloca o Brasil em uma posição delicada no xadrez internacional.
“A gente precisa entender que o jogo geopolítico influencia diretamente na economia. Se o Brasil quiser crescer nas exportações, precisa saber como está sendo visto pelo resto do mundo”, concluiu Viana.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













