Reconhecimento do Estado palestino ganha força na ONU, enquanto crise em Gaza pressiona países ocidentais por mudanças diplomáticas.
A decisão do novo governo britânico de avaliar o reconhecimento oficial do Estado Palestino pode deixar os Estados Unidos isolados no Conselho de Segurança da ONU. Caso o Reino Unido siga os passos da França e oficialize o gesto, os americanos passarão a ser o único membro permanente do órgão a não reconhecer a Palestina como Estado soberano.
O tema é discutido em uma conferência realizada nesta semana na sede da ONU, em Nova York, com foco em dois objetivos: aumentar o número de países que reconhecem a Palestina e mobilizar apoio para torná-la membro pleno da organização.
Hoje, 143 dos 193 países-membros da ONU já reconhecem a Palestina como Estado, mas as principais potências ocidentais ainda resistem. A França foi a primeira a romper essa barreira e anunciou, na semana passada, que fará o reconhecimento formal durante a Assembleia Geral em setembro. Agora, cresce a pressão sobre o Reino Unido, que, sob a liderança do premiê Keir Starmer, sinalizou estar disposto a tomar a mesma decisão.
Segundo Starmer, a posição do Reino Unido poderá mudar se Israel não demonstrar ações concretas para encerrar o que ele chamou de “situação terrível” em Gaza, onde a crise humanitária se intensifica diante da ofensiva militar israelense e do colapso de serviços básicos.
Fontes diplomáticas afirmam que a mudança de postura no Ocidente é reflexo direto da gravidade do conflito em Gaza e do apelo global por uma solução política mais justa para os palestinos. Além disso, o crescente apoio ao reconhecimento palestino pressiona os Estados Unidos, que têm vetado sucessivas tentativas de avanço no Conselho de Segurança da ONU, mesmo diante do clamor da comunidade internacional.
Com o possível reposicionamento do Reino Unido, os EUA correm o risco de ficarem cada vez mais isolados diplomaticamente em uma questão sensível que se tornou símbolo de impasse geopolítico há décadas.
Enquanto isso, os esforços seguem nos bastidores da ONU para costurar uma maioria capaz de aprovar o reconhecimento pleno da Palestina; algo que, embora ainda enfrente resistência, nunca esteve tão perto de se tornar realidade quanto agora.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













