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Com tarifaço às portas, Lula e Trump seguem sem diálogo direto

Sobretaxa entra em vigor na sexta (1º) e Brasil enfrenta impasse diplomático com EUA sem contato entre presidentes.

A poucos dias da entrada em vigor do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, o governo brasileiro ainda não conseguiu abrir um canal direto de negociação com a Casa Branca. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente norte-americano Donald Trump nunca se falaram, e o impasse permanece sem gestos concretos entre os dois líderes.

A medida, anunciada por Trump no início de julho, entra em vigor nesta sexta-feira (1º) e afeta todas as exportações brasileiras com destino aos EUA. Apesar da gravidade do impacto econômico, não há sinal de que o governo norte-americano esteja disposto a negociar ou mesmo a receber representantes do Brasil em alto nível.

O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (28) que não tratou com Lula sobre uma eventual ligação ao presidente americano. Já dentro da comitiva de senadores que está em Washington, há divergência: alguns defendem que Lula tente um contato direto com Trump, enquanto outros temem que isso seja interpretado como ato de submissão e desespero.

No Palácio do Planalto, o discurso é de que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceitará negociar sob pressão ou abrir mão de sua soberania. Nesta mesma linha, Lula sancionou nesta segunda um programa para estimular as exportações de micro e pequenas empresas e, em declaração pública, voltou a responsabilizar a família Bolsonaro pela crise atual.

“Espero que o presidente dos Estados Unidos reflita sobre a importância do Brasil. Tem divergência? Senta numa mesa e resolve, e não de forma abrupta”, disse Lula.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York para agendas na ONU, mas pode ir a Washington caso haja abertura do governo americano; o que ainda não ocorreu. Nesta terça-feira (29), senadores brasileiros devem se reunir com parlamentares democratas e republicanos, mas não há previsão de encontro com integrantes da administração Trump.

A diplomacia parlamentar tenta manter viva a possibilidade de negociação, mas a percepção em Brasília é que apenas um entendimento direto entre os dois governos poderá alterar o curso do tarifaço. Por ora, o Brasil segue à espera de um gesto que não veio.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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