Home / Politica / Moraes adota cautela diante das sanções dos EUA e Lula reforça apoio em jantar com ministros do STF

Moraes adota cautela diante das sanções dos EUA e Lula reforça apoio em jantar com ministros do STF

Reunião no Alvorada evidencia unidade do governo com o Supremo em meio à crise diplomática e pressões políticas.

O clima em Brasília é de tensão e de defesa institucional. No centro da crise aberta com os Estados Unidos, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), escolheu a cautela. Mesmo diante das sanções impostas pelo governo Donald Trump, ele pediu que, por ora, o Brasil não adote medidas formais na Justiça americana, evitando que a disputa diplomática ganhe contornos ainda mais explosivos.

A decisão foi debatida em um jantar promovido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite desta quinta-feira (31), no Palácio da Alvorada. O encontro reuniu seis dos onze ministros do Supremo: Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Edson Fachin e teve como pano de fundo um gesto claro de apoio ao magistrado e à Corte. A ausência dos outros cinco ministros em uma foto oficial, no entanto, não apagou o recado de unidade diante da ofensiva norte-americana.

Jantar no Alvorada sela apoio e articula reação


O encontro durou pouco mais de duas horas e contou também com a presença do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e do advogado-geral da União, Jorge Messias. Nenhuma das autoridades falou com a imprensa ao deixar o local, reforçando a estratégia de silêncio e prudência enquanto o governo avalia como reagir.

A postura de Moraes, que resiste a uma ação imediata da AGU contra os EUA, mostra que a prioridade, por enquanto, é blindar o STF e evitar que a crise transborde para o campo jurídico internacional. Ainda assim, Lula fez questão de reiterar seu apoio aos ministros e à independência do Judiciário, em um momento em que ataques externos e pressões políticas internas se cruzam.

Primeira fala pública de Moraes é aguardada


A primeira manifestação oficial do ministro desde que as sanções foram impostas é esperada para esta sexta-feira (1º), na sessão que marca o retorno do Supremo após o recesso. O gesto deve simbolizar não apenas a defesa de sua honra, mas também a reafirmação da autonomia judicial brasileira.

As sanções dos EUA, aplicadas por meio da Lei Magnitsky, acusam Moraes de autorizar detenções preventivas arbitrárias e de suprimir a liberdade de expressão em processos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. A medida acirrou uma crise diplomática que já vinha sendo alimentada pelo tarifaço americano contra produtos brasileiros.

Para o Planalto e o Supremo, o episódio é mais do que um atrito internacional: é um teste de resistência institucional em meio a um cenário político que mistura pressões externas, embates internos e a expectativa de novos capítulos nos julgamentos que envolvem Bolsonaro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *