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Lula reage a tarifa dos EUA e diz que Brasil quer negociar em pé de igualdade

Presidente afirma que país não é mais dependente e chama de “inaceitável” punição com motivação política.

Em um tom firme e carregado de simbolismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste fim de semana que o Brasil quer ser tratado como igual nas negociações com os Estados Unidos e que não aceitará retaliações motivadas por questões políticas. A fala ocorre em meio à decisão do governo norte-americano, liderado por Donald Trump, de tarifar produtos brasileiros, citando a defesa ao ex-presidente Jair Bolsonaro como uma das justificativas.

“O Brasil hoje não é tão dependente quanto já foi dos Estados Unidos. Temos relações comerciais amplas, em vários continentes, e estamos muito mais tranquilos do ponto de vista econômico”, disse Lula durante o 17º Encontro Nacional do PT, em Brasília. “Mas tentar colocar assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável. O Brasil não é uma republiqueta.”

O presidente disse que o país tem “tamanho, postura e interesses” para sentar à mesa de negociações em condições de igualdade. “As propostas já estão na mesa. Queremos negociar, mas eles precisam saber que temos o que oferecer e o que defender”, afirmou.

Crítica a Trump e defesa do multilateralismo

Lula criticou a postura de Donald Trump, acusando-o de tentar destruir o multilateralismo e voltar a um modelo de negociações “país por país”. Para ele, acordos bilaterais em condições desiguais prejudicam nações menores.
“País pequeno negociar com os EUA é como um trabalhador sozinho tentando negociar com o dono de uma fábrica com 80 mil funcionários. O acordo é leonino, não vai ganhar nada”, comparou.

O presidente ainda reforçou que continuará defendendo moedas alternativas ao dólar no comércio internacional, uma pauta que vem desagradando Washington. “Não vou abrir mão de buscar alternativas. Não preciso ficar subordinado ao dólar. Em 2004, já fizemos isso com a Argentina”, recordou.

Apesar do tom duro, Lula disse que o Brasil quer paz e diálogo. “Não estou disposto a brigar com ninguém. Este país é de paz. Mas também não pensem que nós temos medo”, concluiu.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

Reportagem: CNN Brasil

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