Ministro fez comentário bem-humorado sobre sanção imposta pelo governo americano a integrantes do Supremo.
Durante o lançamento de seu novo livro na Biblioteca do STF, nesta quarta-feira (6), o ministro Gilmar Mendes ironizou a revogação de seu visto para os Estados Unidos, medida adotada recentemente pelo governo norte-americano contra ele e outros sete ministros da Corte.
“Eu poderia estar contando [esse discurso] de Roma, em Paris, em Lisboa… agora não mais em Washington, não é?”, disse o decano do Supremo, arrancando risos do público presente no evento.
A suspensão dos vistos, que também atingiu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, é interpretada como uma resposta do governo dos EUA à atuação do STF no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do ex-presidente americano Donald Trump.
A fala de Gilmar ocorreu durante o lançamento do livro “Jurisdição Constitucional da Liberdade para a Liberdade”, que reúne discursos proferidos na cerimônia em que ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Buenos Aires, em 2024.
Ao final de sua fala, Gilmar destacou a resiliência das instituições democráticas:
“Poderíamos estar contando a história de um debacle, da derrota do Estado Democrático de Direito. Mas normalmente nós temos estados nesses ambientes contando a consagração, a vitória, da democracia.”
O evento contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Edson Fachin e Luiz Fux, além do presidente do STJ, Herman Benjamin, e do procurador-geral Paulo Gonet.
Barroso também discursou, defendendo a atuação da Corte:
“O STF tem sido uma âncora de estabilidade institucional ao longo dos quase 40 anos de redemocratização”, afirmou.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













