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Rondoniense preso com 103 kg de ouro tem habeas corpus negado pelo STJ

Decisão reforça súmula do STF e mantém custódia de acusado por crimes ambientais e contra a ordem econômica.

O caso de Bruno Mendes de Jesus, preso em Roraima após a apreensão de 103 kg de ouro, segue chamando atenção pelo peso das acusações e pelas condições de detenção. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta segunda-feira (18), indeferir liminar em habeas corpus solicitado pela defesa do rondoniense, mantendo a prisão preventiva decretada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

A decisão, assinada pelo ministro Herman Benjamin, aplicou a Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede tribunais superiores de analisarem habeas corpus contra decisões que negam liminares em instâncias inferiores, exceto em flagrante ilegalidade. O ministro ressaltou que não há situação extraordinária que justifique a intervenção do STJ neste momento, e que o mérito do habeas corpus ainda será julgado pelo TRF-1.

Bruno foi detido sob acusação de crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais e na Lei de Usurpação de Bens da União, em operação que investiga exploração mineral irregular em Roraima. A defesa havia pedido medidas cautelares alternativas ou prisão domiciliar, citando, entre outros argumentos, o fato de o acusado ser pai de uma criança e os riscos à integridade física dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo: um presídio conhecido por superlotação, violência e presença de facções criminosas.

A gravidade da conduta, envolvendo a movimentação de ouro irregular, reforça a decisão de manter a prisão preventiva, mas a análise detalhada ficará a cargo do TRF-1. Especialistas e advogados alertam que casos como este reacendem debates sobre o uso da prisão preventiva e sobre as condições do sistema carcerário brasileiro, em especial em unidades de alta periculosidade.

Enquanto o mérito do habeas corpus não é julgado, a investigação sobre a origem e a movimentação dos 103 kg de ouro prossegue. O caso evidencia não apenas os impactos econômicos e ambientais do garimpo ilegal, mas também os desafios do sistema de justiça e da proteção de direitos individuais em situações de risco.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Rondoniagora

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