Com palavras desafiadoras, o líder venezuelano mobiliza milhões de milicianos e promete resistir diante da presença militar americana no Caribe.
Em meio a um cenário que faz o coração da América Latina bater mais forte entre tensões, promessas e mobilizações, Nicolás Maduro resolveu gritar ao mundo que a Venezuela não recua. “Temos o que é preciso”, disse ele, com o tom de quem não pretende se curvar diante de nenhuma potência. A frase foi dita em um discurso televisionado nesta terça-feira (19), enquanto os olhos do mundo se voltam novamente para o Caribe, onde três navios de guerra dos EUA, com 4 mil militares a bordo, foram posicionados.
Maduro não poupou palavras: “Que o mundo saiba, que os impérios saibam: a Venezuela hoje, mais do que nunca, tem o que é preciso. É por isso que estamos em paz e continuaremos em paz”. Reforçando a retórica simbólica que costuma marcar seus discursos, ele evocou a história bíblica: “Carregamos a força de Davi contra Golias”.
A resposta direta veio após a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmar que os Estados Unidos estão prontos para “usar todos os recursos à sua disposição” para conter o tráfico de drogas na região e responsabilizar os envolvidos. Washington vê o governo Maduro como “um dos maiores traficantes de drogas do mundo”: uma acusação que Caracas refuta com veemência, chamando-a de “invenção” e “difamação irresponsável”.
Como reação imediata à movimentação militar dos EUA, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em todo o território venezuelano. “Nenhum império tocará o solo sagrado da Venezuela”, prometeu. Também determinou o reforço da vigilância em Caracas, dobrando o número de “quadrantes da paz”, áreas sob vigilância intensiva por forças de segurança.
“Em qualquer circunstância: nervos de aço, calma, prudência e máxima ação popular, militar e policial. O time vence. Nós sempre vencemos”, declarou o presidente, em tom de resistência nacionalista. Segundo ele, as milícias atuam em parceria com as forças armadas e terão papel ativo na vigilância popular do território.
Para Maduro, o Mar do Caribe “sempre será nosso, livre e soberano”. E, no campo diplomático, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela publicou um comunicado acusando os EUA, ainda na figura do governo Trump, segundo a nota, de ameaçar a estabilidade regional ao “recorrer a difamações e ameaças militares”.
A retórica pode até soar familiar, mas o momento exige atenção. A tensão entre Caracas e Washington não é nova, mas ganha agora uma nova camada de imprevisibilidade. O que está em jogo vai além das palavras, é a disputa por influência, soberania e poder em uma das regiões mais sensíveis do continente.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













