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Moraes diz esperar que Trump revogue sanções contra ele

Ministro do STF afirma confiar em solução diplomática, mas admite possibilidade de contestação judicial nos EUA

Em meio à crise aberta entre Brasil e Estados Unidos, o ministro Alexandre de Moraes afirmou à Reuters que confia em uma mudança de postura do presidente Donald Trump para reverter as sanções financeiras impostas contra ele. Segundo o magistrado, há divergências internas dentro do governo norte-americano que podem enfraquecer as medidas e abrir caminho para sua anulação.

Sanções após julgamento de Bolsonaro

As sanções contra Moraes foram anunciadas após o endurecimento de restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar um golpe de Estado em 2022. Trump reagiu chamando o processo de “caça às bruxas” e impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, além de bloqueios financeiros direcionados ao ministro: medida que já preocupa bancos no Brasil.

Apesar do impacto político e econômico, Moraes se mostrou confiante de que a diplomacia será suficiente para restaurar sua imagem em Washington. “Acredito que o próprio Poder Executivo dos Estados Unidos, o presidente, vai reverter”, disse. Ainda assim, admitiu que é “plenamente possível uma impugnação judicial nos EUA” e que até agora nenhum especialista consultado considera que a Justiça americana manteria as restrições.

Acusações contra Eduardo Bolsonaro

O ministro atribuiu o desgaste a uma ofensiva articulada por aliados de Bolsonaro, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de atuar nos EUA em busca de apoio de Trump contra as decisões do Supremo. Moraes acredita que, com a chegada de informações “corretas e documentadas” às autoridades norte-americanas, não será sequer necessário acionar os tribunais.

Resistência dentro do governo norte-americano

Fontes ouvidas pela Reuters confirmaram que as sanções enfrentaram resistência interna no governo dos EUA. Um funcionário do Departamento de Estado afirmou que o Tesouro inicialmente rejeitou a medida por considerá-la “legalmente inapropriada”. Já um porta-voz do Tesouro, em linha com a Casa Branca, acusou Moraes de “graves abusos contra os direitos humanos” e disse que o ministro deveria “parar de realizar detenções arbitrárias e processos judiciais com motivação política”.

O maior teste internacional de Moraes

A ofensiva de Trump contra Moraes expôs fissuras na relação bilateral e se tornou o maior teste internacional da carreira do ministro de 56 anos, conhecido pelo estilo duro. No STF e no TSE, ele já foi protagonista de decisões de alto impacto, como a prisão de centenas de bolsonaristas após os atos golpistas de 8 de janeiro, a inelegibilidade de Bolsonaro e embates diretos com o bilionário Elon Musk.

Para além das pressões externas, Moraes disse manter a rotina entre o gabinete, treinos de artes marciais e leituras; sua atual, o livro Liderança, de Henry Kissinger. Mas, nos bastidores, reconhece que o desfecho dessa disputa com Trump pode redefinir não só sua trajetória pessoal, como também o tom das relações entre Brasília e Washington.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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