Banco do Brasil e importações da Rússia entram na mira de Washington em meio a tensões diplomáticas e comerciais.
Os Estados Unidos se preparam para aplicar novas medidas contra o Brasil, tendo como alvos o Banco do Brasil (BB) e as importações de óleo diesel russo. As informações foram apuradas pela CNN em Washington, em meio a um cenário político delicado, marcado pelo início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal).
Banco do Brasil sob pressão
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a sanção mais iminente é contra o BB. O contexto envolve a aplicação da Lei Magnitsky, usada pelo Departamento do Tesouro americano em julho para punir instituições que prestem serviços ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O banco estatal brasileiro entrou no radar após notícias de que teria oferecido a Moraes um cartão Elo, em substituição ao Mastercard cancelado por outra instituição financeira. O episódio teria sido interpretado pelos EUA como um descumprimento das sanções.
Se confirmada, a medida contra o BB poderia seguir exemplos de punições já aplicadas a instituições financeiras estrangeiras. O caso mais emblemático é o do BNP Paribas, multado em US$ 9 bilhões em 2014 por transações com países sancionados.
Empresas americanas pressionam
Paralelamente, o “tarifaço” de 50% sobre produtos brasileiros será tema de audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Empresas e associações americanas pedem a manutenção da alíquota e alegam que a competitividade brasileira decorre de práticas ilegais, como desmatamento e trabalho forçado.
Os setores de celulose, madeira, pecuária e soja lideram as pressões, pedindo que Washington feche ainda mais o mercado ao Brasil e estreite acordos comerciais com a China. Também criticam regras brasileiras sobre inteligência artificial, data centers, streaming e a tributação digital de 15%, aprovada em 2024.
Diesel russo na mira
Outra frente em análise é a importação brasileira de óleo diesel da Rússia. Washington já aplicou medida semelhante contra a Índia, dobrando a tarifa de 25% para 50%. Caso se confirme, a mesma regra poderia ser estendida ao Brasil em até duas semanas.
Em 2024, o Brasil importou US$ 12,5 bilhões em produtos russos, sobretudo diesel e fertilizantes. A Índia comprou US$ 63 bilhões, enquanto a China, que negocia um acordo comercial avançado com os EUA, movimentou US$ 130 bilhões em importações russas.
Mais que comércio: um recado político
As medidas anunciadas não se restringem ao campo econômico. Elas também carregam um peso político, em um momento em que o Brasil volta a ser observado de perto por conta do julgamento de Bolsonaro e das tensões institucionais internas. Washington envia, assim, um recado duplo: contestar práticas que considera ilegais e pressionar um governo que tenta equilibrar relações com diferentes potências globais.
O que está em jogo vai além do Banco do Brasil, das tarifas ou do diesel russo: trata-se da forma como o país será visto no tabuleiro internacional: como parceiro confiável ou como alvo recorrente de sanções.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













