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PGR afirma que golpe de Bolsonaro só não se consumou por fidelidade de comandantes das Forças

Durante sustentação no STF, Paulo Gonet destacou que a resistência de líderes militares foi crucial para preservar a democracia brasileira frente a um plano de golpe de Estado.

A democracia esteve por um fio

Na manhã desta terça-feira (2), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, traçou um retrato dramático do que poderia ter sido uma ruptura do Estado Democrático de Direito no Brasil. Segundo ele, o suposto golpe articulado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados só não se concretizou graças à firmeza e fidelidade dos comandantes do Exército e da Aeronáutica, que resistiram à pressão e à insistência dos réus. “Sem a lealdade desses líderes, a história da nossa democracia poderia ter sido outra”, afirmou Gonet, em um tom que mistura alerta e reverência à atuação das Forças Armadas.

O núcleo do golpe

O chamado “núcleo 1” do plano de golpe inclui, além de Bolsonaro, sete réus que desempenharam papéis centrais no governo anterior: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Souza Braga Netto. Todos respondem na Suprema Corte por crimes que vão desde organização criminosa armada até golpe de Estado, passando por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ramagem é a exceção: a Câmara dos Deputados suspendeu parcialmente a ação penal contra ele, restringindo suas acusações a três crimes.

O julgamento que pode marcar a história

O julgamento do núcleo crucial do plano de golpe está sendo conduzido pela Primeira Turma do STF, com sessões extraordinárias e ordinárias programadas até 12 de setembro. A fase de sustentação oral começou com Gonet, que terá até duas horas para apresentar a acusação, seguida das manifestações das defesas. Após isso, os ministros iniciarão a votação, decidindo sobre condenação, absolvição e penas.

A lição da resistência

As declarações do procurador reforçam a importância da institucionalidade e do papel das lideranças comprometidas com a Constituição. A resistência dos comandantes militares evitou que o país se encontrasse à beira do abismo, lembrando que a democracia exige vigilância constante e coragem ética. É um momento para reflexão: a história do Brasil, ainda que marcada por tensões e crises, mostra que o compromisso com os valores democráticos pode, sim, impedir que o caos se instale.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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