Após sustentação do PGR, Supremo pausa julgamento do ex-presidente e outros réus por tentativa de golpe; advogados terão hora para defender absolvição.
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu temporariamente o julgamento que pode definir os rumos da democracia brasileira. Na manhã desta terça-feira (2), após a contundente sustentação oral do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, determinou a pausa para o almoço. A tensão e a expectativa permanecem, com todos os olhos voltados para a retomada da sessão às 14h, quando as defesas terão a oportunidade de argumentar pela absolvição dos réus.
Relator reafirma independência e imparcialidade
Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Penal 2668, leu seu relatório, destacando que nenhuma “tentativa de obstrução” poderá afetar a imparcialidade da Corte. Ele reforçou ainda que a “soberania nacional jamais será vilipendiada, negociada ou extorquida”, sinalizando a seriedade do processo e a importância de cada decisão para o futuro do país.
Quem são os réus do núcleo 1
O núcleo crucial do suposto plano de golpe envolve oito réus, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. São eles:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin;
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa;
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022;
- Jair Bolsonaro, ex-presidente.
Acusações pesadas e implicações históricas
Eles respondem a cinco crimes graves: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave, e deterioração de patrimônio tombado. A exceção é Alexandre Ramagem, cuja ação penal teve dois crimes suspensos pela Câmara.
Este julgamento, dividido em cinco datas pelo ministro Cristiano Zanin, já entrou para a história não apenas pelo peso das acusações, mas pela demonstração de que a democracia brasileira é monitorada, defendida e respeitada em todas as suas instituições.
Um país em alerta
Quando a sessão for retomada às 14h, cada palavra dos advogados e cada argumento dos ministros terá repercussão direta sobre a compreensão nacional e internacional do Estado Democrático de Direito no Brasil. O mundo observa, e o país acompanha com apreensão e esperança de que os princípios constitucionais prevaleçam. Este julgamento não é apenas sobre os réus: é um teste decisivo para a força, a resiliência e o futuro da democracia brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













