José Luis Oliveira Lima emocionou-se ao falar do cliente e pediu que a corte considere provas e testemunhas no julgamento do STF.
Como último advogado a sustentar a defesa no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o suposto plano de golpe de Estado, José Luis Oliveira Lima defendeu a absolvição do general e ex-ministro Walter Braga Netto, ex-integrante do governo Jair Bolsonaro (PL). Durante a sustentação oral nesta quarta-feira (3), Oliveira Lima afirmou que Braga Netto é inocente e pediu que os ministros considerem todos os documentos, provas e depoimentos apresentados no processo.
O advogado emocionou-se ao falar da situação de seu cliente, preso preventivamente desde dezembro de 2024, e destacou que Braga Netto, de 69 anos, “provavelmente passará o resto de sua vida no cárcere” caso a denúncia seja aprovada. Oliveira Lima lembrou os 40 anos de serviços prestados pelo general ao país e ressaltou a responsabilidade da defesa e da corte diante do caso.
Acusações da PGR contra Braga Netto
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Braga Netto teria sido um dos líderes de uma suposta organização criminosa que articulava um plano de golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022. A prisão preventiva ocorreu após a Polícia Federal apontar tentativas do general de interferir nas investigações e acessar conteúdos sigilosos da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Quem são os réus do núcleo 1
Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo central do plano de golpe inclui: Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin; Almir Garnier, almirante de esquadra; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; e Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.
Crimes que os réus respondem no STF
Os oito réus respondem a cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave, e deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento será retomado na próxima terça-feira (9), quando os ministros do STF iniciarão a votação dos oito réus, definindo condenações ou absolvições em um processo que acompanha atentamente a opinião pública e que reflete diretamente sobre os limites e a solidez da democracia brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













