Levantamento revela divisão profunda na percepção do Supremo conforme o voto em 2022.
A confiança no Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a ser medida no termômetro da política brasileira. Os números escancaram a polarização do país. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (8), metade dos brasileiros diz confiar na Corte, enquanto 47% afirmam não confiar. Mas o recorte pelo voto no segundo turno de 2022 revela como essa percepção está diretamente ligada à disputa entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Bolsonaristas mais críticos ao Supremo
Entre os eleitores do ex-presidente Bolsonaro, a desconfiança é massiva: 76% dizem não confiar no STF, contra apenas 22% que afirmam confiar. Já entre os que votaram em Lula, o cenário se inverte: 73% confiam na instituição e 23% não confiam.
O grupo que se absteve, votou em branco ou nulo no segundo turno apresenta uma divisão mais equilibrada, mas ainda com viés negativo. Nesse recorte, 53% não confiam no Supremo e 45% confiam.
Mudança de percepção
O CEO da Quaest, Felipe Nunes, destacou que o movimento de desconfiança mudou de lado ao longo dos últimos anos. “Até 2023, a desconfiança vinha principalmente do eleitor de Lula. Após 2024, a desconfiança aumentou entre eleitores de Bolsonaro. Essa desconfiança também chegou ao eleitor que se absteve no segundo turno de 2022”, afirmou.
Detalhes da pesquisa
O levantamento ouviu 12.150 brasileiros entre os dias 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.
O resultado reforça que, mais do que um tema jurídico, a imagem do STF se tornou um reflexo da polarização política que divide o Brasil. A confiança ou desconfiança no Supremo deixou de ser apenas uma questão institucional e passou a ser, sobretudo, um espelho das escolhas políticas de cada eleitor.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













