Se confirmada, operação marca avanço inédito da guerra para além de Gaza.
Uma explosão em Doha, capital do Catar, sacudiu a diplomacia internacional nesta terça-feira (9). Fontes israelenses confirmaram à CNN que Israel realizou um ataque direcionado à liderança do Hamas no país: movimento que, se comprovado, representará a primeira vez em que Tel Aviv leva a guerra diretamente ao território catariano.
O alvo fora de Gaza
Embora não tenha revelado nomes, Israel afirmou que a ação foi “precisa” e coordenada entre as Forças de Defesa (IDF) e a agência de segurança Shin Bet. Em comunicado, os militares responsabilizaram a cúpula do Hamas por “anos de liderança terrorista”, incluindo o ataque de 7 de outubro e o planejamento da guerra em curso contra o Estado israelense.
O detalhe mais contundente é que o comunicado sugere que a ofensiva aconteceu fora de Gaza, ampliando o tabuleiro do conflito e sinalizando uma escalada que pode ter desdobramentos ainda imprevisíveis.
Catar reage com dureza
O governo do Catar classificou a ofensiva como um “ato covarde” e informou que uma investigação em alto nível está em andamento. O país, que há anos abriga líderes do Hamas em Doha, tem atuado como mediador nas negociações de cessar-fogo e libertação de reféns.
Na véspera do ataque, o negociador-chefe do Hamas, Khalil Al-Hayya, havia se reunido com o primeiro-ministro catariano, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, na capital.
EUA sabiam da operação
Uma autoridade israelense revelou que os Estados Unidos foram informados previamente sobre a ação em Doha, o que reforça a gravidade do episódio e a conivência estratégica entre Washington e Tel Aviv.
Uma nova fronteira da guerra
Se a operação for confirmada, não será apenas um ataque militar: será um divisor de águas. A guerra, que já devastou Gaza e repercute em toda a região, alcança agora um país que vinha se colocando como mediador. O episódio pode redesenhar não apenas os rumos do conflito, mas também as relações de confiança no Oriente Médio.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













