Samir Xaud criticou arbitragem, gandulas e até a polícia após confusão em El Alto.
A derrota da Seleção Brasileira para a Bolívia, por 1 a 0, nesta quinta-feira (9), em El Alto, foi além do resultado em campo. O revés, que encerrou a campanha mais fraca da história do Brasil em Eliminatórias, virou palco para críticas duras do presidente da CBF, Samir Xaud, que classificou a recepção da delegação e as condições da partida como uma “verdadeira várzea”.
Desabafo após o apito final
Logo após o jogo, Xaud não poupou palavras para relatar os obstáculos enfrentados pela Seleção em meio aos 4 mil metros de altitude. Segundo ele, os jogadores atuaram contra muito mais que os 11 adversários.
“Viemos para jogar futebol e o que vimos foi um antijogo. Jogamos contra a arbitragem, contra a polícia, contra os gandulas, que tiravam as bolas de campo e colocavam outras dentro. Uma verdadeira várzea”, disparou.
O dirigente ainda afirmou esperar uma postura firme da Conmebol: “Não é o que se espera para o futebol mundial, muito menos o sul-americano. Temos tudo gravado e espero que providências sejam tomadas. Foi um absurdo.”
Pênalti polêmico e domínio boliviano
O gol que decretou a vitória boliviana saiu nos acréscimos do primeiro tempo. Bruno Guimarães dividiu com o lateral Roberto e, após revisão no VAR, o árbitro marcou pênalti. Miguelito, jovem revelado pelo Santos e hoje no América-MG, converteu e virou herói nacional, já que o resultado mantém a Bolívia viva na repescagem mundial.
Apesar da reclamação, a Seleção pouco fez para mudar o destino da partida. Escalado com time alternativo por Carlo Ancelotti, o Brasil foi dominado e terminou o jogo com números preocupantes: finalizou bem menos que a Bolívia e sofreu com os efeitos da altitude.
Campanha abaixo da crítica
Mesmo classificado para a Copa, o Brasil encerrou as Eliminatórias em quinto lugar, com apenas 28 pontos: o pior desempenho de sua história. A instabilidade em campo e fora dele acendeu o alerta na preparação para o Mundial.
Olhar para o futuro
Agora, a Seleção se prepara para dois amistosos em outubro, na Ásia: contra a Coreia do Sul, em Seul (10/10), e contra o Japão, em Tóquio (14/10). Ancelotti deve seguir testando novas peças, mas a derrota para a Bolívia deixa claro que os desafios vão muito além da escalação.
A imagem que fica de El Alto não é apenas a de um tropeço em campo, mas de um retrato amargo do futebol sul-americano, onde a paixão às vezes dá lugar ao improviso e ao caos. E cabe à Seleção transformar esse episódio em aprendizado para voltar a inspirar confiança e grandeza dentro das quatro linhas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CBF













