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Crise no Nepal: Incerto caminho político após renúncia de premiê

Manifestações da Geração Z contra corrupção e bloqueios de redes sociais já deixaram 25 mortos e abalam estabilidade do país.

O Nepal vive um momento de incerteza e tensão política após a renúncia do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli, na terça-feira (9). Protagonizados principalmente por jovens da Geração Z, os protestos contra corrupção e o bloqueio de redes sociais já deixaram pelo menos 25 mortos e mais de 600 feridos, enquanto prédios públicos, incluindo o Parlamento e a Suprema Corte, foram incendiados.

Jovens à frente da mobilização

A mobilização da Geração Z, formada por jovens nascidos entre 1997 e 2012, surpreendeu o país. Sem líderes claros, os manifestantes ocuparam as ruas e desafiaram a autoridade do governo, provocando caos e destruição. O Exército, agora responsável por restaurar a ordem, conclamou os jovens a participarem de negociações para alcançar uma solução pacífica.

Especialistas alertam, no entanto, que ainda não há interlocutores definidos com quem o governo ou o presidente possam dialogar. “A Geração Z deve formar uma equipe de negociação. O presidente então manteria conversas com esse grupo, representantes da sociedade civil e o Exército”, explicou o ex-juiz da Suprema Corte Balaram K.C.

Caminhos constitucionais e possibilidade de governo interino

Segundo a Constituição do Nepal, de 2015, um sucessor deve ser escolhido pelo partido que detém maioria no Parlamento. Se nenhum partido tiver maioria, o presidente indica alguém capaz de garantir apoio parlamentar, que precisa obter um voto de confiança em até 30 dias. Caso contrário, a Câmara pode ser dissolvida e novas eleições convocadas.

Especialistas sugerem que, diante do impasse e da desconfiança nos líderes tradicionais, pode ser criado um governo interino aceito pelos manifestantes. Esse governo teria como objetivo implementar mudanças desejadas pela Geração Z e organizar eleições em até seis meses, garantindo ampla representação política, segundo o especialista Bipin Adhikari.

Favoritos dos jovens e possíveis mudanças

Entre os nomes que ganham força junto aos manifestantes estão Balendra Shah, rapper e compositor eleito prefeito de Katmandu, e Rabi Lamichhane, ex-jornalista e líder do Partido Rastriya Swatantra. Lamichhane, que estava preso por suposto desvio de fundos, foi retirado da prisão pelos manifestantes na terça-feira (9).

Além de mudanças no governo, os jovens reivindicam uma reformulação da constituição, embora a carta atual permita alterações apenas via aprovação parlamentar. A possibilidade de revisão da constituição mostra que a pressão da Geração Z vai além da política imediata, buscando estruturar o país de acordo com sua visão de justiça e representatividade.

Reflexão final

O Nepal atravessa um momento delicado, em que a energia e a determinação da juventude se chocam com as estruturas políticas tradicionais. A forma como os próximos passos serão conduzidos pode definir não apenas o futuro do país, mas também servir de exemplo para outros Estados que enfrentam demandas semelhantes por representatividade, justiça e renovação. A atenção do mundo está voltada para Katmandu, aguardando um caminho que combine ordem, diálogo e mudanças profundas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

Reportagem: CNN Brasil

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