Geração Z toma as ruas, força renúncia do primeiro-ministro e aponta Sushila Karki como favorita para conduzir transição.
O Nepal vive um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. Após semanas de protestos intensos, que deixaram ao menos 30 mortos e mais de mil feridos, os militares iniciaram negociações com os manifestantes da chamada “Geração Z” para definir quem será o líder interino do país. A onda de revolta forçou a renúncia do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli e escancarou a insatisfação popular com a corrupção e a falta de perspectivas econômicas.
Sushila Karki como nome favorito
No centro das discussões está o nome da ex-presidente da Suprema Corte, Sushila Karki, de 73 anos. Primeira mulher a ocupar o cargo mais alto do Judiciário no Nepal, em 2016, ela é vista como símbolo de integridade e coragem. Muitos líderes do movimento a indicaram como a figura ideal para conduzir o país na fase de transição.
“Vemos Sushila Karki por quem ela realmente é: honesta, destemida e inabalável”, disse Sujit Kumar Jha, um dos apoiadores da mobilização. Apesar do amplo apoio, ainda há divergências internas entre os manifestantes, que buscam chegar a um consenso antes da oficialização de seu nome.
Katmandu sob tensão
Enquanto as negociações avançam, a capital, Katmandu, permanece sob forte presença militar. Escolas, lojas e universidades continuam fechadas, e o governo mantém ordens de restrição em vigor. Mesmo assim, voos internacionais foram retomados.
Os protestos, que começaram após a proibição de redes sociais: medida já revogada, se transformaram em uma explosão de revolta juvenil. Prédios governamentais foram incendiados, incluindo a própria Suprema Corte e residências de ministros. O setor privado também foi afetado, com hotéis em Pokhara e até o Hilton de Katmandu entre os alvos.
A força da Geração Z
Chamados de protestos da “Geração Z”, os atos têm como protagonistas jovens que não aceitam mais a paralisia política e econômica. Eles cobram reformas estruturais, combate efetivo à corrupção e novas oportunidades de trabalho.
Agora, com o país à beira de uma redefinição política, o futuro do Nepal está nas mãos de uma juventude que conseguiu, pela primeira vez em décadas, derrubar um governo inteiro com sua mobilização. A escolha do líder interino será um teste não apenas para os militares e políticos, mas também para a capacidade dessa nova geração de transformar sua indignação em um projeto duradouro de nação.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN
Reportagem: CNN Brasil













