Home / Politica / Lula abre Assembleia da ONU com apelo por multilateralismo e paz em meio a tensões com os EUA

Lula abre Assembleia da ONU com apelo por multilateralismo e paz em meio a tensões com os EUA

Presidente brasileiro deve defender soberania, direitos sociais e reconhecimento do Estado palestino em discurso marcado por disputas geopolíticas.

No palco mais simbólico da diplomacia mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre nesta terça-feira (23) a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A tradição que garante ao Brasil a primeira fala desde 1955 carrega agora um peso adicional: Lula sobe ao púlpito em um momento de tensões com os Estados Unidos e em meio a conflitos que reconfiguram a ordem global.

Temas centrais do discurso

Com previsão de 15 minutos, o pronunciamento deve girar em torno da defesa do multilateralismo, da soberania nacional, da cooperação internacional e de uma agenda progressista voltada para sustentabilidade e direitos sociais. Outro ponto esperado é o apelo pelo reconhecimento do Estado palestino, em meio à escalada da guerra na Faixa de Gaza. Lula deve insistir que a paz na região passa por uma solução de dois Estados e por maior protagonismo da ONU.

Tensão com Washington

O discurso acontece uma semana após a Casa Branca anunciar a revogação de vistos da esposa e dos filhos do ministro Alexandre de Moraes, além de sanções contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, e familiares de autoridades brasileiras. Essas medidas recentes ampliaram o atrito diplomático entre Brasília e Washington e podem influenciar no tom do presidente brasileiro.

Comitiva ministerial e simbolismo dos 80 anos

Lula está acompanhado de uma ampla comitiva de ministros, incluindo Mauro Vieira (Relações Exteriores), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcia Lopes (Mulheres), Jader Barbalho (Cidades), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública). A edição deste ano marca os 80 anos da ONU, reforçando o caráter simbólico da reunião, que também terá no centro dos debates a guerra na Ucrânia, a defesa da democracia e a crise climática.

A presença de Lula no púlpito da ONU resgata uma tradição brasileira, mas também carrega a expectativa de posicionar o país como voz ativa em um mundo marcado pela fragmentação e pela disputa de poder entre potências. O tom do seu discurso, ajustado até o último minuto, poderá indicar se o Brasil pretende apenas reafirmar sua independência ou assumir de vez o papel de articulador de consensos em tempos de incerteza global.

Aqui está o que se sabe até agora, e o que se espera:

 O que já foi confirmado ou dito antes

  • Lula vai usar o Espaço da Assembleia Geral para defender temas centrais como soberania nacional, multilateralismo, cooperação internacional, direitos sociais e sustentabilidade.
  • Ele também deverá mencionar a guerra na Faixa de Gaza, pedindo o reconhecimento do Estado Palestino e destacando as responsabilidades das instituições internacionais.
  • Há forte expectativa de que o discurso leve em conta as sanções recentes impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras, bem como outras medidas vistas pelo governo brasileiro como ataques à sua soberania.

O que aguardar nos próximos registros

Quando o discurso for transcrito oficialmente ou quando repórteres conseguirem divulgar trechos gravados, é provável que observemos:

  • Passagens críticas ao uso de leis e sanções pelos Estados Unidos, especialmente no contexto das recentes medidas aplicadas a figuras brasileiras.
  • Apelos a instituições multilaterais para que respeitem tratados, convenções e os princípios de direito internacional.
  • Referências fortes à situação humanitária em Gaza, possivelmente com termos que denunciariam danos civis, fome ou falta de acesso a direitos básicos.
  • Mensagens de reafirmação da política externa brasileira pautada pela soberania; ou seja, que o Brasil não vai “ceder” a pressões externas.

Assista aqui ao vivo

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Metro1

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *