Deputado do União Brasil já foi aliado de Bolsonaro, defende a anistia aos presos do 8 de Janeiro e críticas ao STF marcam sua trajetória política.
O Conselho de Ética da Câmara ganhou novo protagonista em uma disputa de peso. O deputado federal Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG) foi escolhido relator do processo que pode resultar na cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A indicação de Freitas chama atenção não só pelo peso do cargo, mas também pelo perfil político que ele carrega: alinhado a pautas bolsonaristas, crítico ferrenho ao STF e defensor do polêmico PL da Anistia.
A trajetória do relator
Ex-delegado da Polícia Federal e doutor em Direito, Marcelo Freitas preside o União Brasil em Minas Gerais. Ele apoiou Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022 e já integrou a bancada do PSL, quando relatou a reforma da Previdência na CCJ em 2019. No Congresso, coleciona pautas conservadoras: defende o porte de armas, a castração química e maior autonomia das forças policiais.
Fora do eixo tradicional da política nacional, chegou a propor que Montes Claros fosse reconhecida como a “Capital Nacional do Pequi”, em um embate que o colocou contra o governador goiano Ronaldo Caiado (União Brasil). Sua atuação, porém, tem ganhado cada vez mais projeção no campo das disputas institucionais.
Alinhamento com o bolsonarismo
Nas redes sociais, Freitas reforça seu alinhamento às bandeiras do bolsonarismo. Ele se posiciona a favor do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, critica duramente o PT e defende limitar decisões monocráticas no STF. Também é um dos que levantam a bandeira da anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro, tentativa de golpe que feriu a democracia brasileira.
Essa sintonia com as pautas mais radicais pode ter peso no processo contra Eduardo Bolsonaro, já que o relator é do mesmo partido do presidente do Conselho de Ética, deputado Fábio Schiochet (União Brasil-PR).
O que está em jogo para Eduardo
Filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro enfrenta quatro representações no Conselho de Ética, mas apenas uma, apresentada pela bancada do PT, foi pautada. A acusação é de quebra de decoro parlamentar, especialmente por declarações que, segundo os autores, difamam instituições brasileiras e atacam ministros do Supremo.
Eduardo permanece nos Estados Unidos desde o início do ano, alegando ser um “exilado político”. De lá, busca apoio de aliados de Donald Trump para pressionar contra Alexandre de Moraes, relator das ações que levaram à condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Se houver recomendação pela cassação, a decisão final ficará nas mãos do plenário da Câmara. Serão necessários 257 votos para que ele perca o mandato.
Reflexo maior que a disputa
Mais do que um processo individual, a relatoria de Marcelo Freitas sobre Eduardo Bolsonaro expõe a complexa teia de interesses e alinhamentos que movimenta o Congresso. O futuro do filho do ex-presidente se mistura com a própria capacidade da Câmara de dar respostas à sociedade diante de ataques à democracia. E, nesse jogo, o perfil do relator não é apenas detalhe burocrático: pode ser o fator decisivo entre a punição exemplar ou a perpetuação da impunidade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados
Reportagem: CNN Brasil













