Vice-presidente destaca diálogo permanente com o Congresso e afirma que projetos do Executivo são de interesse público.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (29) que espera que o desembarque de partidos aliados não prejudique a pauta do governo Lula (PT) no Legislativo. No início do mês, União Brasil e PP deram prazo de 30 dias para que ministros filiados às duas siglas deixassem cargos na gestão petista.
Diálogo e governabilidade
“Espero que [a saída dos partidos] não impacte, porque os projetos do governo são de interesse público. Fui deputado federal e não tem essa coisa de ‘não voto porque sou amiguinho do governo’, ‘sou contra’. O presidente Lula é o governo do diálogo”, disse Alckmin à CBN Vale.
O vice-presidente ressaltou que a administração federal mantém um diálogo constante com o Legislativo, citando como exemplo a aprovação da reforma tributária no final de 2024. Segundo ele, a prática de diálogo tem sido fundamental para a governabilidade, mesmo diante do cenário político fragmentado do país.
Reflexão sobre o sistema partidário
Ao comentar o número elevado de legendas no Brasil, Alckmin recorreu a uma expressão de Charles De Gaulle, líder da resistência francesa e ex-presidente da França: “O De Gaulle dizia que a França era muito difícil de ser governada porque tinha muitos tipos de queijo e de partidos. Então, a cláusula de barreira, a cada eleição, vai reduzindo [o número de partidos]. Precisa reduzir mais depressa, mas devagarinho, porque esse excesso de siglas dificulta a governabilidade.”
Eleições de 2026
Questionado sobre o pleito do próximo ano, Alckmin reafirmou que Lula é o “candidato natural” à reeleição, ressaltando que não cabe ao governo escolher adversários nas urnas. “Lula tem o que mostrar: o salário mínimo crescer, o desemprego caiu e a renda melhorou. Você tem um cenário positivo”, concluiu.
A declaração reforça a tentativa do governo de transmitir estabilidade política, sinalizando que, mesmo diante de mudanças na base aliada, a prioridade permanece na construção de consensos e na condução de projetos que impactam diretamente a vida da população.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Valdenio Vieira/SEAUD -PR













