Presidente venezuelano fala em mobilizar forças armadas e assumir controle de setores estratégicos diante da presença militar norte-americana no Caribe
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira (29) que está pronto para declarar estado de emergência no país, diante do aumento das tensões com os Estados Unidos. A medida, prevista na Constituição venezuelana, daria ao mandatário poderes ampliados nos âmbitos político, econômico e social.
Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, Maduro disse que a decisão teria como objetivo “proteger o povo, a paz e a estabilidade, caso a Venezuela seja atacada pelo império dos EUA”.
A declaração ocorre após o envio de navios de guerra norte-americanos para o Mar do Caribe. Washington afirma que a operação tem como foco o combate ao narcotráfico, mas Caracas denuncia uma manobra para desestabilizar o governo e até promover uma mudança de regime.
Os EUA acusam Maduro de envolvimento com o tráfico de drogas: algo que o presidente nega categoricamente. Recentemente, o governo norte-americano dobrou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à sua prisão.
Poderes ampliados
De acordo com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, a declaração de emergência permitiria a Maduro mobilizar as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas em todo o território e assumir o controle direto de serviços públicos, da indústria petrolífera e de setores considerados estratégicos.
Além disso, o presidente poderia fechar fronteiras terrestres, aéreas e marítimas, bem como ativar planos econômicos e sociais emergenciais.
“O objetivo é proteger a integridade territorial, a soberania e os interesses estratégicos vitais de nossa república contra qualquer violação grave ou agressão externa”, afirmou Delcy.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/O Globo













