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Sindicato ligado a irmão de Lula volta a ser alvo de operação da PF

Presidente do Sindnapi é ouvido pela CPMI que investiga supostos desvios no repasse de benefícios a aposentados e pensionistas do INSS

Há histórias que tocam diretamente na confiança do povo. E quando envolvem aposentados e pensionistas; pessoas que dedicaram a vida inteira ao trabalho, o impacto é ainda maior. Nesta quinta-feira (9), o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), ligado à Força Sindical, voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga possíveis desvios no repasse de benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O caso ganhou ainda mais destaque porque a entidade tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

PF cumpre mandados e CPMI entra em cena

A nova fase da Operação Sem Desconto levou a Polícia Federal a cumprir mandados de busca e apreensão na sede do sindicato, em São Paulo, e nas residências do presidente da entidade, Milton Baptista de Souza Filho, e de alguns diretores. No mesmo dia, o dirigente foi ouvido pela CPMI do INSS, que apura denúncias de descontos indevidos e possíveis irregularidades em convênios com associações e sindicatos.

A oitiva de Milton Baptista aconteceu na manhã desta quinta-feira (9) e despertou o interesse de parlamentares da oposição, especialmente pela ligação do sindicato com o irmão do presidente. Frei Chico, entretanto, não é investigado e nem teve seu nome incluído entre os alvos da operação.

Crescimento expressivo nos repasses do INSS

Os parlamentares devem questionar o expressivo aumento nos valores repassados pelo INSS ao Sindnapi nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, o montante cresceu 564%, saltando de R$ 23,2 milhões para R$ 154,7 milhões. O dinheiro é proveniente dos descontos realizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, uma prática que agora está sob análise da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Além da oitiva de Milton Baptista, a CPMI também deve deliberar sobre 78 novos requerimentos, entre eles pedidos de convocação, quebras de sigilo e solicitações de informação a órgãos públicos e entidades.

Nota de esclarecimento do Sindnapi

Diante da operação, o Sindnapi divulgou uma nota oficial em que afirma estar surpreso com as medidas adotadas e nega qualquer irregularidade em sua gestão. A entidade declarou que ainda não teve acesso ao inquérito policial e garantiu que prestará todos os esclarecimentos necessários. Veja a íntegra do comunicado:

“O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), por meio de seus advogados, manifesta sua surpresa com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu Presidente e alguns Diretores, em operação deflagrada pela Polícia Federal em nova fase da ‘Operação Sem Desconto’.

Esclareça-se que os advogados não tiveram acesso ao inquérito policial, ao conteúdo das razões da representação policial ou dos fundamentos da decisão que autorizou a deflagração da medida cautelar, mas reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados.

A exemplo do procedimento adotado nas demais demandas judiciais, o SINDNAPI comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e respeito que são devidos.”

Um episódio que coloca em xeque a confiança

O caso que envolve o Sindnapi vai além dos números e das investigações. Ele toca em algo sensível: a confiança de milhões de aposentados que dependem do benefício para viver com dignidade. Em um país onde cada centavo pode fazer diferença no fim do mês, a suspeita de irregularidades em entidades que deveriam proteger os mais velhos é motivo de indignação e reflexão.

Enquanto a CPMI segue tentando esclarecer os fatos, fica o apelo para que a verdade e apenas ela, prevaleça. Porque, no fim das contas, é a credibilidade das instituições e o respeito aos aposentados que estão em jogo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Metrópoles

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