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Ataques persistem em Gaza apesar de acordo inicial entre Israel e Hamas

Enquanto fumaça sobe sobre a Faixa de Gaza, nova fase do plano Trump entra em jogo com promessas de cessar-fogo, liberação de reféns e recuo militar.

Desde as primeiras horas desta quinta-feira (9), o céu de Gaza voltou a ecoar explosões: lembretes cruéis de que a guerra segue viva, mesmo após Israel e o Hamas anunciarem a aceitação da primeira fase do plano de paz de 20 pontos do presidente Donald Trump. A iniciativa especula cessar-fogo imediato, a troca de prisioneiros e uma retirada parcial das tropas israelenses.

Fumaça, tensões e esperanças tênues

Na região central da Faixa de Gaza, colunas de fumaça se erguiam alto, e o ronco de aeronaves cortava o ar. Drones ou aviões de combate, não se sabia exatamente, davam o tom de alerta. Em meio ao caos, um vídeo capturou veículos da Cruz Vermelha trafegando por estradas próximas à costa, em meio a acampamentos de deslocados. Cenário de destruição, sofrimento e vida tentando persistir.

Esse panorama se acentua num momento simbólico: exatamente dois anos após o ataque do Hamas ao sul de Israel, negociações mediadas no Egito produziram um entendimento sobre o plano de Trump.

O plano de 20 pontos: promessas e controvérsias

A proposta americana inclui pontos ambiciosos:

  • Estabelecer um Conselho da Paz internacional para administrar Gaza temporariamente, sob liderança de Trump e outros chefes de Estado, com participação de ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
  • Um cessar-fogo permanente, com troca de reféns pelo Hamas e prisioneiros palestinos por Israel.
  • Que Israel recuasse suas tropas para linhas previamente acordadas e que não anexasse Gaza no futuro.
  • Que o Hamas não participasse do governo no novo modelo institucional da região.
  • Uma desmilitarização gradual e anistia para membros do Hamas que se rendessem.

Israel confirmou apoio ao plano e disse que concordou com a fase inicial. O Hamas, por sua vez, declarou que aceitaria libertar todos os reféns vivos ou mortos no início do cessar-fogo, abdicar do controle de Gaza e entregar listas de prisioneiros para troca, embora não tenha detalhado sua adesão completa aos demais pontos.

O que esperar: cronograma e riscos

Fontes ligadas às negociações apontam que o acordo será formalmente assinado nesta quinta-feira (9) no Egito, com convite feito ao presidente Trump para participar da cerimônia.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocará o gabinete para ratificar o entendimento, etapa exigida por lei local.

Uma parte essencial do cronograma: aproximadamente 72 horas após o início do cessar-fogo, o Hamas liberaria os reféns vivos (estimados em 20) e, aos poucos, os corpos dos mortos, segundo divulgou uma autoridade israelense.
Em paralelo, Israel libertaria cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, entre eles nomes com sentenças de prisão perpétua, conforme fontes palestinas.
Ajuda humanitária deve aumentar: o plano prevê a entrada de 600 caminhões por dia com suprimentos, segundo autoridades israelenses, embora outras fontes palestinas mencionem um mínimo de 400 caminhões diários.
Israel precisa recuar suas forças em até 24 horas após a aprovação do acordo. Só então se inicia a contagem das 72 horas para a liberação dos reféns.

Mas há riscos graves:

  • O Hamas tem sido resistente à exigência de desarmamento total, condição considerada essencial por Israel para garantir futura segurança.
  • A retirada de tropas israelenses pode enfrentar resistência interna ou questionamentos logísticos.
  • Mesmo com acordo assinado, há dúvida sobre o compromisso dos atores em cumpri-lo, especialmente em meio às hostilidades que ainda ecoaram pela manhã.

A guerra segue mesmo com acordo

Apesar da assinatura da fase inicial do acordo, os ataques continuam: uma evidência dolorosa de que nem mesmo o anúncio de paz silencia as armas. A realidade no terreno é de dor constante: famílias sem notícias de seus entes reféns, populações com fome, hospitais à beira do colapso e uma reconstrução monumental que ainda parece distante.

Se esse primeiro passo for cumprido de fato, ele representará o avanço mais concreto marcado até agora em busca da paz em Gaza. Mas até lá, ficará a pergunta insistente: como confiar na paz enquanto bombas ainda cortam o céu?

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Newsource

Reportagem: CNN Brasil

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