Ministra afirma que Lula determinou reorganização da base aliada após derrota na Câmara e promete novas mudanças em cargos de partidos do Centrão.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou em entrevista à CNN que as recentes demissões de indicados do PP, MDB e PSD fazem parte de um movimento de reorganização da base aliada do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ela, a decisão foi tomada após a derrota na votação da MP que buscava alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras); episódio que, segundo o Planalto, revelou traições de partidos que ocupam cargos estratégicos na máquina pública.
“Estamos reorganizando a base a partir de uma votação que era importante para o país e para o governo federal. Quem votou contra sabia disso, então não tem por que ficar no governo”, declarou Gleisi.
A ministra deixou claro que as mudanças não terminaram e que outros partidos de centro também poderão ser atingidos. Desde a semana passada, ao menos seis indicados políticos foram substituídos em cargos de segundo e terceiro escalões.
“Nós vamos tirar os indicados pelos deputados federais que votaram contra para reorganizar a base aliada”, reforçou a petista, destacando que o objetivo é alinhar a gestão com quem está comprometido com o projeto do governo.
Apesar do tom firme, Gleisi ressaltou que o governo não pretende romper o diálogo com legendas de centro ou de direita:
“Não vamos deixar de conversar com quem quer que seja, mas se quiserem continuar no governo, daqui pra frente, têm de votar com o governo”, afirmou.
O Palácio do Planalto atribui a retirada da MP da pauta principalmente à articulação do PP, PSD e União Brasil, mas reconhece que também houve traições pontuais no MDB e até no PSB, partido da base governista.
Diante da perda estimada de R$ 17 bilhões em arrecadação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avalia aumentar a taxação sobre apostas online e reduzir o pagamento de emendas parlamentares como forma de compensar o impacto fiscal.
A declaração de Gleisi marca o início de uma nova fase de tensão política entre o Planalto e o Centrão, num momento em que o governo tenta consolidar apoio no Congresso e preservar o equilíbrio das contas públicas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Gil Ferreira/SRI-PR













