Fim dos combates marca novo capítulo de esperança e dor no Oriente Médio.
O silêncio da guerra deu lugar nesta segunda-feira (13) a palavras carregadas de promessa e responsabilidade. Ao assinar o cessar-fogo em Gaza, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a reconstrução começa agora, exatamente no momento em que os acordos diplomáticos ganham força.
Poucas horas depois, o Hamas entregou os corpos de quatro reféns mortos à Cruz Vermelha e liberou 20 reféns vivos: gestos simbólicos que marcam o início de uma transição delicada entre conflito e reconstrução.
Cessando o fogo: de promessas a compromissos
Em discurso no Parlamento israelense, Trump voltou a defender que “a guerra longa e difícil acabou” e enfatizou a urgência de transformar o cessar-fogo em um plano efetivo de reconstrução. Ele garantiu que uma “quantidade tremenda de dinheiro” será mobilizada por países árabes e parceiros internacionais para reconstruir Gaza.
Especialistas que analisaram o plano de Trump destacam que a proposta vai além do investimento estrutural: prevê destruição de túneis do Hamas, desmilitarização gradual, reconstrução da infraestrutura básica e criação de uma “Nova Gaza” sob supervisão internacional.
No palco diplomático, o acordo de cessar-fogo é parte central da cúpula em Sharm El-Sheikh (Egito), com líderes de mais de 30 países presentes, buscando consolidar os próximos passos da paz
Os corpos devolvidos; e os que ainda faltam
O Hamas havia anunciado que devolveria os restos mortais de quatro reféns mortos: Daniel Peretz, Yossi Sharabi, Guy Illouz e Bipin Joshi. A entrega parcial, porém, gerou reações: Israel acusou o grupo de violar o acordo, afirmando que a devolução completa dos 28 corpos prometidos não foi cumprida.
O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas disse que as famílias ficaram consternadas com a entrega limitada e cobrou que mediadores e o governo israelense exijam cumprimento total do compromisso.
Obstáculos gigantescos na reconstrução
Mesmo com o cessar-fogo e os primeiros gestos simbólicos, a reconstrução de Gaza enfrenta desafios monumentais. O ONU estimou que serão necessários cerca de 16 anos só para reconstruir as moradias destruídas; e as projeções mais ambiciosas falam em custos superiores a US$ 50 bilhões.
Esses números mostram que, além do processo diplomático e do cumprimento dos termos do cessar-fogo, será preciso força organizacional, coordenação entre países, escassez de recursos e a superação de resistências políticas internas nas partes envolvidas.
Reflexão final
No calor das celebrações que acompanham a libertação de reféns e a assinatura do cessar-fogo, a verdadeira batalha começa agora: a de reconstruir vidas, cidades e esperanças. As primeiras pedras do novo capítulo foram lançadas, mas será na consistência dos atos que se verá se haverá paz duradoura ou um retorno à mesma ruína.
A reconstrução de Gaza, tal qual outros capítulos da história, exige algo mais que promessas: exige compromisso, coragem e solidariedade real. Que este momento não seja apenas o fim de um ciclo de dor, mas o começo de uma nova trajetória de renascimento.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













