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Aliados veem Bolsonaro disposto a adiar escolha de candidato à Presidência em 2026

Expectativa é que o ex-presidente só anuncie apoio às vésperas da campanha, em meio a pressões e cálculos políticos.

Sob crescente pressão para definir o nome que representará a direita na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) dá sinais de que pretende adiar a escolha de seu candidato. A avaliação é compartilhada por dirigentes de seu campo político e por aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A tendência, segundo fontes próximas ao ex-presidente, é que o anúncio ocorra apenas em julho, às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. O cálculo político de Bolsonaro é manter o controle sobre a narrativa e evitar que um apoio antecipado fragilize as negociações em curso, tanto no Congresso Nacional, quanto nas articulações com aliados internacionais.

Apoio de Bolsonaro e impasse para Tarcísio

Entre os aliados de Tarcísio, há o diagnóstico de que a indefinição do ex-presidente é o principal entrave para que o governador avance no projeto presidencial. O gestor paulista tem deixado claro, em conversas reservadas, que só disputaria o Planalto com o apoio explícito de Bolsonaro.

Diante da ausência desse respaldo, o governador já admite buscar a reeleição em São Paulo, movimento que, segundo interlocutores, vem sendo bem recebido por setores do empresariado e do mercado financeiro, que valorizam a estabilidade administrativa e o perfil técnico de sua gestão.

Disputas internas e cálculo estratégico

Nos bastidores, a família Bolsonaro tem sido a principal voz contrária a um anúncio precoce. O argumento é que antecipar a decisão poderia enfraquecer as articulações em torno do PL da Anistia e prejudicar as negociações políticas que visam garantir a elegibilidade do ex-presidente.

A postura dos filhos, de acordo com aliados, conta com o aval do próprio Bolsonaro, que prefere preservar margem de manobra para ajustar a estratégia conforme o cenário eleitoral evolui, especialmente diante da possível influência do governo Donald Trump, nos Estados Unidos, em temas que envolvem sua defesa jurídica.

Enquanto isso, o presidente do PP, Ciro Nogueira, tem insistido para que o apoio seja oficializado ainda em dezembro, numa tentativa de consolidar o bloco de centro-direita e permitir que o candidato escolhido ganhe tempo para se fortalecer. A proposta, porém, foi recebida com resistência no entorno bolsonarista.

Mercado de olho em Ratinho Júnior

A hesitação de Tarcísio abriu espaço para novas movimentações no campo da direita. O mercado financeiro e parte da elite política já passaram a olhar com atenção para o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), visto como um nome viável e de perfil conciliador.

A eventual candidatura de Ratinho, no entanto, depende do aval do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que até o momento tem mantido cautela sobre o papel do partido na sucessão presidencial.

Enquanto isso, Bolsonaro segue no centro do tabuleiro: adiando decisões, medindo forças e mantendo todos os olhos voltados para o seu próximo movimento.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

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