Documento aponta “alta letalidade” da ação e pede criação de Secretaria Especial para tratar do tema.
Cinco ex-ministros da Justiça enviaram uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em que expressam preocupação com a alta letalidade da Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro e que deixou 121 mortos. No documento, eles criticam o formato da ação e cobram uma nova abordagem do governo federal diante da escalada de violência no Estado.
“Mal preparada e mal explicada, foi realizada uma operação de guerra, colocando as estruturas da Polícia do Estado do Rio de Janeiro em confronto com a totalidade da população ali residente e não somente com os grupos faccionados”, afirma o texto.
Críticas e apelo ao governo federal
Assinam a carta os ex-ministros Nelson Jobim, Miguel Reale Jr., Aloysio Nunes e José Carlos Dias, que ocuparam o cargo durante o governo Fernando Henrique Cardoso, além de Tarso Genro, que foi ministro de Lula.
Eles defendem que incursões sistemáticas em comunidades já se mostraram, ao longo de quatro décadas, estratégias ineficazes e inadequadas para o enfrentamento das facções criminosas.
“O fato de ter antecedente criminal não expressa, num Estado Democrático de Direito, licença para a eliminação sumária de quem quer que seja”, destacam.
Pedido de ação direta do presidente
No fim do documento, os ex-ministros pedem que Lula assuma diretamente a condução da crise no Rio de Janeiro, por meio da criação de uma Secretaria Especial da Presidência da República, com prerrogativas ministeriais, para coordenar ações integradas de segurança pública e direitos humanos.
Até o momento, o Governo do Rio de Janeiro não se pronunciou sobre o conteúdo da carta.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













