Eduardo Tagliaferro é acusado de agir com organização criminosa ligada à desinformação e à tentativa de golpe de Estado.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (7) para aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornar réu seu ex-assessor, Eduardo Tagliaferro, acusado de vazar informações sigilosas de dentro do gabinete do magistrado. O caso se insere no contexto das investigações sobre a rede de desinformação e a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
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Em seu voto, Moraes afirmou que Tagliaferro teria agido “de forma engendrada” com a organização criminosa que atuava na disseminação de ataques às instituições e à Justiça Eleitoral, “reforçando a campanha de deslegitimação das instituições mediante vazamento de informações sigilosas e criação de ambiente de intimidação institucional”.
Julgamento segue em plenário virtual da 1ª Turma
O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma do STF. Ainda faltam as manifestações dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, que têm até a próxima sexta-feira (14) para registrar seus votos.
Moraes votou para aceitar a denúncia da PGR por todos os quatro crimes imputados a Tagliaferro, que são:
- violação de sigilo funcional;
- coação no curso do processo;
- obstrução de investigação envolvendo organização criminosa;
- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Denúncia da PGR aponta vínculos com rede golpista
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Tagliaferro teria violado o sigilo funcional ao revelar à imprensa diálogos e dados sigilosos trocados com servidores do gabinete de Moraes, tanto no STF quanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
À época, ele ocupava o cargo de assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação. A denúncia, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, sustenta que as revelações foram feitas para atender a “interesses ilícitos” de uma organização criminosa responsável por espalhar notícias falsas contra o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e a atuação das Cortes.
Gonet afirmou ainda que o ex-assessor aderiu às condutas do grupo investigado nos inquéritos das milícias digitais, das fake news e da trama golpista: todos sob relatoria de Moraes.
Entre lealdade e traição
A denúncia contra um ex-assessor direto de Alexandre de Moraes expõe as contradições do poder e o peso das escolhas feitas dentro dele. Tagliaferro, que antes atuava para proteger a integridade do sistema democrático, agora responde por tentar fragilizá-lo.
Mais do que um episódio isolado, o caso evidencia como a desinformação e a traição institucional podem se infiltrar nos espaços mais estratégicos da República e como a Justiça segue firme para enfrentar quem tenta manipular a verdade e corroer a confiança nas instituições.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Linkedin













