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Aliados veem prisão de Bolsonaro como inevitável, mas esperam regime fechado por pouco tempo

Comparações com o caso Collor e expectativas de uso do estado de saúde como argumento alimentam estratégia da defesa do ex-presidente.

Entre apreensão e resignação, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já admitem que será difícil evitar o início do cumprimento da pena em regime fechado, após a condenação a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações da jornalista Isabel Mega, no CNN Novo Dia, a expectativa é de que Bolsonaro siga um caminho semelhante ao do ex-presidente Fernando Collor de Mello, preso e posteriormente beneficiado com a prisão domiciliar por motivos de saúde.

O prazo para análise dos embargos de declaração apresentados pela defesa termina no dia 14 de novembro, embora todos os ministros do STF já tenham se manifestado pela rejeição do recurso. Nos bastidores de Brasília, o clima é de incerteza e tensão, tanto no governo do Distrito Federal quanto entre apoiadores do ex-presidente, diante da iminente decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre o local onde a pena será cumprida.

Papuda e PF estão entre as opções

As possibilidades mais discutidas até o momento são o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e a Superintendência da Polícia Federal, que já recebeu outros presos de alto perfil. O destino de Bolsonaro, no entanto, ainda depende da formalização da decisão de Moraes, que deve ocorrer nos próximos dias.

Nos grupos bolsonaristas, o sentimento é misto. De um lado, há o reconhecimento de que a prisão em regime fechado pode ser inevitável; de outro, cresce a expectativa de uma reversão rápida, amparada em laudos médicos que apontem fragilidades na saúde do ex-presidente; argumento que a defesa pretende utilizar para tentar converter a pena em prisão domiciliar.

Comparação com o caso Collor

A estratégia, segundo aliados, é inspirada diretamente no caso Fernando Collor, que em abril deste ano chegou a ser detido em regime fechado em Maceió, mas obteve o direito de cumprir pena em casa uma semana depois, após alegar problemas de saúde. A defesa de Bolsonaro aposta que um desfecho semelhante pode ser alcançado.

Entretanto, o momento político é diferente. A pauta da anistia, que chegou a unir parte da direita em torno do ex-presidente, perdeu força nas últimas semanas. Parlamentares aliados reconhecem que há dificuldade em mobilizar o Congresso Nacional para pressionar por alguma medida em favor de Bolsonaro, especialmente após o esvaziamento dos atos públicos e o desgaste político causado por sua condenação.

Expectativa e silêncio estratégico

Nos bastidores, pessoas próximas a Bolsonaro relatam que ele tem mantido uma postura reservada e silenciosa, à espera do desfecho judicial. Apesar da apreensão, a estratégia é não confrontar publicamente o STF neste momento, para não prejudicar futuras tentativas de revisão da pena.

Ainda assim, há quem diga que o ex-presidente acredita que “não ficará muito tempo preso”. Para os mais fiéis aliados, a fase é de cautela e preparação e, sobretudo, de espera por uma saída jurídica que transforme a sentença em mais um capítulo de resistência política.

Enquanto isso, em Brasília, o clima é de tensão contida. Nos corredores do poder, a sensação é de que o relógio corre em contagem regressiva para um desfecho que, inevitável ou não, promete reconfigurar o tabuleiro político brasileiro mais uma vez.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN

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