Rodrigo Rollemberg diz ter 16 assinaturas e quer acelerar coleta para apurar suspeita de fraude bilionária.
A disputa política em Brasília ganhou um novo capítulo carregado de tensão e suspeitas. O ex-governador do Distrito Federal e atual deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) começou a recolher assinaturas para tentar emplacar uma CPI que investigue o que ele considera um dos maiores esquemas financeiros recentes do país. A iniciativa nasce em meio à preocupação com possíveis fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o BRB (Banco Regional de Brasília), com impactos diretos no sistema financeiro e no patrimônio público.
Segundo afirmou à CNN Brasil, entre terça-feira (18) e o início desta quarta-feira (19), Rollemberg já conquistou 16 assinaturas, mas precisa de 171 para que o pedido avance oficialmente. O plano é redobrar os esforços a partir da próxima semana e ampliar o apoio dentro da Câmara.
Esquema pode ter causado prejuízo superior a R$ 12 bilhões
No requerimento, o deputado lembra que a operação realizada pela Polícia Federal expôs fragilidades e possíveis riscos sistêmicos, já que haveria indícios de fabricação de fundos fraudulentos e prejuízo que ultrapassa R$ 12,2 bilhões. Para ele, o caso é grave o suficiente para exigir uma investigação ampla — não apenas criminal, mas institucional.
A proposta da CPI prevê 27 titulares e 27 suplentes, com prazo inicial de 120 dias para apuração.
Sistema financeiro em alerta
Rollemberg também sustenta que o BRB teria sido “instrumentalizado” na tentativa de absorver passivos e contratos fraudulentos ligados ao Banco Master. O ponto que mais chama atenção, segundo o parlamentar, é o trâmite acelerado na Câmara Legislativa do Distrito Federal para aprovar, em regime de urgência, um projeto que autorizava a compra do Master sem debate técnico mais profundo.
Para ele, isso gera suspeitas de articulação política e econômica que, se comprovada, poderia transferir o prejuízo de um banco privado para o caixa de um banco público, impactando diretamente o contribuinte.
CPI como dever constitucional
No documento apresentado, Rollemberg afirma que a investigação é necessária não apenas pela dimensão econômica, mas pelo impacto social. Ele cita que, pela Constituição, o Congresso tem a obrigação de apurar fatos de relevância nacional e de proteger o interesse público.
A proposta da CPI ainda enfrenta um longo caminho até ganhar forma, mas o avanço das assinaturas mostra que o tema deve render desdobramentos políticos nas próximas semanas. É um debate que, caso prospere, pode colocar sob forte holofote o sistema financeiro, a transparência de operações públicas e o uso de bancos estatais em negociações de alto risco: temas que, inevitavelmente, mexem com a memória recente do Brasil e com a confiança da população nas instituições.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













