Governo americano tem 30 dias para tornar público material que abasteceu investigações sobre tráfico sexual.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou nesta quarta-feira (19) o projeto de lei que determina que o Departamento de Justiça (DOJ) divulgue todo o material produzido nas investigações envolvendo Jeffrey Epstein. A decisão, apresentada como um gesto de transparência, reacende um dos casos mais sensíveis da política recente dos Estados Unidos.
Trump aproveitou o momento para atacar os democratas e afirmar que o tema “afeta muito mais” seus adversários do que o Partido Republicano.
DOJ terá 30 dias para liberar documentos
Pela nova lei, o DOJ deve divulgar arquivos, relatórios, evidências, documentos e materiais relacionados ao caso dentro de 30 dias. A divulgação, contudo, não será irrestrita. Informações que possam comprometer investigações em andamento ou expor vítimas de tráfico sexual poderão ser preservadas, informou a procuradora-geral Pam Bondi.
Os documentos podem dar mais detalhes sobre o histórico de Epstein, que antes de ser condenado em 2008 convivia com Trump e outras figuras de peso da política e do alto empresariado norte-americano.
Trump x democratas: tensão política cresce
A decisão tem potencial para alimentar embates entre governo e oposição. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que acompanhará de perto o processo para evitar “manobras” por parte do presidente.
Democratas temem que Trump tente restringir trechos comprometedores para si ou proximidade de aliados, enquanto republicanos defendem que revelações poderiam atingir lideranças históricas do Partido Democrata.
Além disso, existe o receio de que os documentos sejam divulgados com grande volume de trechos censurados, esvaziando seu impacto público.
Até o momento, não há evidências de práticas criminosas cometidas por Trump no caso, embora documentos divulgados anteriormente mencionem seu nome e o de outras personalidades, como Bill Clinton e o príncipe Andrew.
O que são os “Arquivos de Epstein”
As investigações contra Epstein e sua ex-companheira Ghislaine Maxwell reuniram mais de 300 gigabytes de material, que incluem:
- Relatórios de investigação
- Depoimentos documentados nos formulários “302”, usados pelo FBI
- Fotografias, vídeos, áudios e registros de buscas
- Material colhido na apuração original em Miami e na investigação posterior em Nova York
Parte dessas informações já veio a público em processos cíveis, na condenação de Maxwell e em reportagens investigativas.
Por anos, o caso foi cercado por teorias conspiratórias, incluindo a existência de uma suposta “lista de clientes” criminosos; algo que nunca foi comprovado. Jornalistas e investigadores experientes afirmam que não há evidências de que Epstein mantivesse esse tipo de registro.
Importante frisar: a presença de nomes nos documentos não significa envolvimento em ilícitos. Em muitos casos, aparecem como citações, menções em agendas, registros de voos ou depoimentos.
Quem foi Jeffrey Epstein
Nascido em Nova York, Jeffrey Epstein iniciou a carreira como professor antes de ingressar no mercado financeiro. Na década de 1980, fundou sua própria empresa e passou a atuar para clientes bilionários.
Nos anos 1990, já acumulava propriedades e poder, circulando entre chefes de Estado, aristocratas e magnatas.
O colapso começou em 2005, quando uma série de denúncias de abuso sexual contra menores levou a uma investigação policial. Epstein firmou um controverso acordo judicial em 2008, cumprindo 13 meses de prisão por um crime menor, em vez de enfrentar acusações federais mais graves.
A nova onda de acusações, a partir de 2018, levou a uma nova investigação. Epstein foi preso em 2019 por tráfico sexual de menores, mas morreu meses depois em uma cela de Nova York, em circunstâncias que autoridades classificaram como suicídio: versão contestada por parte da opinião pública.
Desde então, o caso nunca saiu do debate político e social norte-americano e, agora, com a liberação dos arquivos, pode ganhar novos capítulos e impactos imprevisíveis.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Getty Images













