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Absolvição no Ninho do Urubu provoca indignação de famílias e luta por justiça continua

Darlei Pisetta, pai de Bernardo, morto no incêndio de 2019, afirma que a busca por justiça continuará, mesmo após decisão da Justiça do Rio.

A dor de perder um filho é inesgotável, mas a sensação de injustiça pode ser ainda mais esmagadora. Foi com essa revolta que Darlei Pisetta, pai de Bernardo Pisetta, ex-goleiro do Flamengo, recebeu a notícia da absolvição de sete réus no caso do incêndio que vitimou dez adolescentes no Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019. Em entrevista, ele desabafou sobre a impotência diante de uma decisão que, para ele e outras famílias, ignora a responsabilidade pelos acontecimentos que tiraram vidas tão jovens.

Absolvição judicial e reação das famílias

A decisão da 36ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro beneficiou sete réus, incluindo ex-diretores do Flamengo, engenheiros responsáveis pela estrutura do CT e sócios de empresas terceirizadas, todos acusados de incêndio culposo e lesão grave. Apesar da absolvição, o Ministério Público já anunciou que recorrerá da decisão.

Darlei Pisetta, que preside a Associação dos Familiares de Vítimas do Ninho do Urubu (Afavinu), reforçou que a entidade seguirá em busca de justiça e responsabilização. “É um sentimento de impotência muito grande, a sensação de ser um lixo, né? De não ter valor nenhum na sociedade. Morreram dez crianças e ninguém é penalizado”, afirmou.

Quem foram os absolvidos

  • Márcio Garotti, ex-diretor financeiro do Flamengo
  • Marcelo Maia de Sá, ex-diretor adjunto de patrimônio
  • Danilo Duarte, Fabio Hilário da Silva e Weslley Gimenes, engenheiros
  • Claudia Pereira Rodrigues, responsável por contratos da NHJ
  • Edson Colman, sócio da empresa que cuidava da manutenção de aparelhos de ar-condicionado

Outros quatro denunciados tiveram suas acusações rejeitadas ou prescreveram, incluindo Marcus Vinicius, monitor, e Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo.

Relembre a tragédia

O incêndio ocorreu em contêineres usados como alojamento das divisões de base do Flamengo, sem alvará para ocupação. O fogo, iniciado por um aparelho de ar-condicionado, se espalhou rapidamente pelo revestimento altamente inflamável. Dez adolescentes morreram, enquanto outros 16 escaparam, alguns com ferimentos graves.

Entre os sobreviventes, muitos seguem ligados ao futebol profissional. Dyogo Alves é goleiro do elenco principal do Flamengo, Jhonata Ventura se aposentou por lesões, mas atua como analista de mercado, e Cauan Emanuel segue jogando no Maranguape, na Segunda Divisão do Campeonato Cearense. Outros jovens reconstruíram suas carreiras, espalhados por clubes do Brasil e do exterior.

Impacto e repercussão

A decisão da Justiça gerou indignação não apenas nas famílias, mas também na sociedade, que questiona a responsabilização de gestores e empresas que deveriam zelar pela segurança dos menores. Para Darlei Pisetta, o caso evidencia a necessidade de persistência: “Queremos justiça, queremos que alguém seja responsabilizado. A sociedade precisa se perguntar: então não houve responsável nenhum?”

Mesmo diante da absolvição, a luta das famílias não termina aqui. Cada recurso apresentado, cada audiência futura, carrega a esperança de que a dor de 2019 não seja esquecida e que o futuro seja mais seguro para todas as crianças e adolescentes do país. As lembranças das vítimas permanecem, e a memória de Bernardo e dos outros jovens inspira a busca por justiça e responsabilidade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão

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