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Adolescente acusada de matar o avô em Ariquemes se entrega, fica em silêncio e Justiça determina internação

Investigação aponta premeditação no crime que deixou idoso morto e avó gravemente ferida no distrito de Garimpo Bom Futuro.

Uma família destruída, uma comunidade em choque e uma pergunta que ainda ecoa na zona rural de Ariquemes: como uma adolescente de 17 anos é acusada de tirar a vida do próprio avô e tentar matar a avó dentro de casa? O caso, que mistura dor, violência e mistério, ganhou um novo capítulo na noite desta quarta-feira, quando a jovem se apresentou à polícia acompanhada de advogados e permaneceu em silêncio.

O crime aconteceu por volta das 21 horas de terça-feira, (24) no distrito de Garimpo Bom Futuro, em Ariquemes e ganhou forte repercussão. O idoso José Lucas dos Santos Filho, de 75 anos, foi morto a tiros. A esposa dele, de 70 anos, foi socorrida em estado grave.

O que aconteceu dentro da casa

A Polícia Militar foi acionada depois que a filha do casal recebeu a informação de que a mãe gritava por socorro dentro da residência. Um vizinho ouviu os pedidos de ajuda e suspeitou que algo grave havia ocorrido.

Quando os policiais chegaram, encontraram a idosa ferida por disparos de arma de fogo. Já José Lucas estava caído sobre um sofá, inconsciente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi chamado e encaminhou a mulher ao hospital. Uma médica confirmou a morte do idoso, que apresentava duas perfurações nas costas e uma na nuca.

Segundo relato da sobrevivente, a neta teria pedido que os avós se sentassem no sofá para conversar. Em seguida, saiu da casa e retornou armada com um revólver. Teria atirado primeiro contra o avô, pelas costas, e depois contra a avó, atingida na boca e no peito. A arma ainda falhou quando a adolescente tentou disparar novamente. A idosa fingiu estar morta e, com isso, conseguiu sobreviver.

Após os tiros, a jovem fugiu em um veículo possivelmente modelo Hilux, de cor vermelha.

Investigação aponta premeditação

As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Rondônia indicam que o crime pode ter sido premeditado. De acordo com o delegado Ricardo Rodrigues, porta-voz da corporação, a adolescente efetuou os primeiros disparos contra o avô e, na sequência, atirou contra a avó, que ainda conseguiu correr e se trancar no banheiro.

Conforme relatado pelo delegado, a jovem tentou entrar no cômodo e, não conseguindo, voltou até onde o avô estava e efetuou ao menos mais um disparo. A suspeita é de que um dos tiros tenha atingido a nuca da vítima fatal.

A arma usada no crime seria um revólver adquirido de forma ilegal, segundo relato da própria adolescente. O armamento ainda não foi localizado.

Silêncio e decisão da Justiça

Na noite de quarta-feira, a adolescente se apresentou acompanhada de dois advogados e optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.

Com base nas provas já colhidas e nos indícios de premeditação, a Delegacia da Mulher representou pela internação da jovem. A Justiça autorizou a medida, e ela foi encaminhada para uma unidade socioeducativa, onde permanece à disposição judicial.

Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos, e a Polícia Civil segue realizando diligências para esclarecer a motivação do crime. A expectativa é concluir as etapas finais da investigação nos próximos dias.

Em meio aos detalhes frios de uma investigação, fica o peso humano dessa tragédia. Uma vida interrompida, outra marcada para sempre e uma adolescente que agora terá o futuro decidido pela Justiça. Em casos como esse, mais do que respostas técnicas, a sociedade busca entender onde falhamos e como evitar que histórias de violência familiar se repitam dentro das próprias casas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Rondoniagora

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