General é acusado de liderar suposta organização criminosa que teria atuado para impedir a posse de Lula em 2022.
O advogado José Luis de Oliveira Lima, que representa o general e ex-ministro Walter Braga Netto, iniciou nesta quarta-feira (3) sua sustentação oral no plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa busca apresentar argumentos para contestar as acusações que apontam Braga Netto como um dos líderes da trama golpista.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o militar teria participado de uma organização criminosa que articulava um plano de golpe de Estado para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022. Braga Netto chegou a ser preso preventivamente em dezembro de 2024 após a Polícia Federal apontar tentativas do general de interferir nas investigações e acessar conteúdos sigilosos da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).
Quem são os réus do núcleo 1
Além de Bolsonaro, o núcleo central do suposto plano de golpe conta com outros sete réus: Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin; Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo Bolsonaro; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.
Crimes atribuídos aos réus
Bolsonaro e os demais réus respondem a cinco crimes na Suprema Corte: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave, e deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento é acompanhado de perto pelo país, que observa cada sustentação, cada argumento e cada detalhe das provas apresentadas. A expectativa agora se concentra na decisão dos ministros, que deve definir não apenas o destino dos réus, mas também reforçar o valor da democracia e o respeito às instituições brasileiras.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













