Presidente do Senado evita contato com colegas há 15 dias, enquanto pressão por impeachment de Moraes cresce.
No epicentro da crise política que tomou conta de Brasília, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) mantém silêncio absoluto. Segundo senadores da oposição, o presidente do Senado não atende ligações há pelo menos 15 dias, ignorando inclusive tentativas insistentes de contato após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A situação elevou a tensão no Congresso. Aliados de Bolsonaro cobram uma reação imediata do Senado diante das medidas do Supremo, que incluem restrições ao senador Marcos Do Val (Podemos-ES) e a prisão de Bolsonaro. Para os oposicionistas, a resposta passa pela abertura de processos de impeachment contra Moraes, que hoje somam 29 pedidos protocolados na Casa: todos parados, à espera de decisão de Alcolumbre.
“Meu presidente Davi Alcolumbre, o que o senhor vai fazer em relação a isso?”, questionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em entrevista à CNN. Ele acusou Moraes de “abuso de autoridade” e disse que o país “está essa bagunça porque o Senado Federal não faz a sua parte”.
Pressão cresce e Senado se torna palco da crise
Líderes oposicionistas intensificaram o tom. Em nota conjunta, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, e Zucco (PL-RS), líder da oposição no Senado, afirmaram que o Legislativo tem “obrigação institucional e moral de agir”.
“É urgente a abertura imediata de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, antes que o Brasil mergulhe na maior crise política, econômica e social de sua história recente”, diz o comunicado.
Apesar da pressão, Alcolumbre dá sinais de que não pretende ceder. A aliados, o presidente do Senado tem repetido que não aceitará agir “sob pressão” e, até agora, evitou qualquer manifestação pública sobre o avanço dos pedidos de impeachment.
Silêncio estratégico ou isolamento político?
O distanciamento de Alcolumbre ocorre em um momento delicado. O senador foi recentemente citado por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como possível alvo de sanções pelo governo Donald Trump, o que aumentou a temperatura política em Brasília. Desde então, oposicionistas relatam dificuldade em obter qualquer resposta do presidente do Senado, mesmo diante da escalada da crise entre Legislativo e Judiciário.
Enquanto o impasse persiste, a pressão sobre o Senado aumenta. Para opositores, o silêncio de Alcolumbre simboliza paralisia diante da maior crise institucional dos últimos anos, enquanto para seus aliados, a estratégia é evitar alimentar confrontos que possam desestabilizar ainda mais o país.
O Senado, que já acumula quase 30 pedidos de impeachment contra Moraes, segue sem previsão de deliberação. E o silêncio de Alcolumbre ecoa como mais um capítulo de incerteza em Brasília.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Senado Federal













