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“Alcolumbre resiste e trava negociações sobre PL da Anistia, admite Valdemar”

Pressão política aumenta nos bastidores, mas falta de consenso no Senado pode redesenhar os rumos da proposta;

A política brasileira vive mais um de seus capítulos intensos, onde acordos costurados nos bastidores encontram barreiras difíceis de romper. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que nem mesmo toda a pressão do Congresso tem sido suficiente para convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a abraçar o polêmico projeto de lei da anistia.

“Nem os partidos nem o Congresso conseguem convencer Alcolumbre”, disse Valdemar, em entrevista à CNN, revelando a resistência que tem travado a tramitação da matéria.

A batalha pela anistia

Enquanto a Câmara tenta avançar, o Senado se mantém como ponto de bloqueio. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem feito esforços para articular um encontro entre Alcolumbre e o relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), mas até agora sem sucesso.

O PL defende uma anistia ampla e irrestrita, enquanto Paulinho insiste que apenas ajustes na dosimetria das penas podem passar pelo crivo do Senado. Para os senadores, sobretudo os de centro e esquerda, a prioridade é que o texto seja discutido primeiro na Casa Alta, com recortes mais restritos.

O nó político

Na prática, isso significa que a proposta deve beneficiar apenas os envolvidos diretamente nos atos criminosos de 8 de janeiro de 2023, sem incluir os mentores intelectuais. Essa diferenciação já causa atritos, especialmente porque o texto aprovado pela Câmara abre margem para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ponto que encontra forte resistência no Senado.

Além disso, a negociação caminha lado a lado com outra pauta sensível: a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil. O governo Lula tem pressa nessa votação, e a articulação em torno da anistia só deve voltar à mesa após a definição desse tema.

O peso da decisão

Em meio às pressões, a falta de consenso expõe a delicadeza do momento político. De um lado, partidos que buscam blindagem; de outro, o Senado que tenta impor limites para evitar que a anistia seja vista como um cheque em branco para crimes que abalaram a democracia.

A pergunta que fica é: até onde vai a capacidade de negociação da política brasileira diante de feridas tão recentes e ainda abertas? O futuro desse projeto não será decidido apenas nos plenários, mas também na memória coletiva de um país que ainda busca compreender os ecos de 8 de janeiro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil

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